{"id":3113,"date":"2020-06-05T16:25:00","date_gmt":"2020-06-05T19:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacau.me\/?p=3113"},"modified":"2026-02-26T20:18:22","modified_gmt":"2026-02-26T23:18:22","slug":"reviews-hybrido-o-homem-do-castelo-alto-temporadas-1-a-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacau.me\/?p=3113","title":{"rendered":"[Reviews Hybrido] O Homem do Castelo Alto \u2013 Temporadas 1 a 4"},"content":{"rendered":"\n<p>Bom, <em>first things first<\/em>, eu sempre adorei a premissa da s\u00e9rie baseada no romance hom\u00f4nimo de <strong>Philip K. Dick<\/strong> e adaptada para o <em>Prime <\/em>inicialmente por <strong>Frank Spotnitz<\/strong> e <strong>Ridley Scott<\/strong>: com o destino do mundo amea\u00e7ado pela repeti\u00e7\u00e3o de erros cometidos em um passado n\u00e3o t\u00e3o distante assim, \u00e9 incr\u00edvel ter os recursos visuais que mostram um mundo onde os pa\u00edses do Eixo teriam vencido a II Guerra Mundial depois de jogar uma bomba at\u00f4mica em Washington, DC. Com a vit\u00f3ria, Os Estados Unidos da Am\u00e9rica deixam de existir e seu territ\u00f3rio \u00e9 dividido entre a Alemanha (Leste) e o Jap\u00e3o (Oeste), com as Montanhas Rochosas de divisa (Zona Neutra).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Produ\u00e7\u00e3o Primosora<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O epis\u00f3dio piloto \u00e9 um dos melhores j\u00e1 produzidos para o g\u00eanero. A abertura, com grandes s\u00edmbolos americanos na sombra da iconografia nazista e ao som de <em>Edelweiss <\/em>faz muito mais do que dar o tom: \u00e9 de tirar o f\u00f4lego. O grande m\u00e9rito \u2013 n\u00e3o apenas do piloto mas de toda a primeira temporada \u2013 \u00e9 justamente a constante e indigesta provoca\u00e7\u00e3o. Ao mostrar que \u2013 passado o impacto inicial \u2013 podemos aceitar com determinada normalidade um mundo cruel, tir\u00e2nico e atroz em nome da estabilidade econ\u00f4mica e em troca da nossa pr\u00f3pria seguran\u00e7a pessoal, a obra se torna indispens\u00e1vel para a atualidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"The Man in the High Castle\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/117116735?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A proposta de mostrar uma sociedade americana totalmente adaptada tanto \u00e0 autoridade alem\u00e3 quanto \u00e0 sobriedade japonesa \u00e9 fascinante e cada detalhe da produ\u00e7\u00e3o faz com que tal realidade seja facilmente cr\u00edvel. A est\u00e9tica \u00e9 ao mesmo tempo \u00f3bvia e inquietante, fruto de uma fotografia privilegia os tons cinzentos e, assim, destaca sem fazer for\u00e7a o vermelho sangue da iconografia nazista. A cenografia e produ\u00e7\u00e3o de arte foram detalhadamente pensadas para retratar uma cultura completamente diferente, mas criada de forma inteligente a partir de elementos familiares. Como n\u00e3o existem mais bandeiras americanas, por exemplo, vemos su\u00e1sticas estendidas tradicionalmente \u00e0 frente das casas dos sub\u00farbios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cE Se\u2026\u201d<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Um belo ponto a se destacar \u00e9 que, fora do n\u00facleo extremo dos nazistas alem\u00e3es, a obra n\u00e3o estabelece uma divis\u00e3o clara e \u00f3bvia entre o bem e o mal. Foi poss\u00edvel identificar momentos de humanidade mesmo vindos dos grandes vil\u00f5es como o alto oficial do Partido Nazista Americano, <em>John Smith<\/em> (<strong>Rufus Sewell<\/strong>), ou o Inspetor Chefe japon\u00eas em S\u00e3o Francisco, <em>Takeshi Kido<\/em> (<strong>Joel de la Fuente<\/strong>). Estes s\u00e3o alguns exemplos de como a s\u00e9rie foi feliz em nos garantir v\u00e1rios personagens complexamente desenvolvidos. Infelizmente a \u00fanica personagem estranhamente rasa \u00e9 justamente a protagonista, <em>Juliana Crain<\/em> (<strong>Alexa Davalos<\/strong>). E piora no decorrer das temporadas: na \u00faltima, seu papel se reduz ao de uma coadjuvante de luxo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o grande problema \u00e9 que o \u201c<em>what if<\/em>\u201d de Philip K. Dick, ap\u00f3s mostrar brilhantemente a que veio, se abriu em possibilidades infinitas e arcos dram\u00e1ticos que facilmente confundem o espectador. Muitas vezes fica complicado acompanhar as reviravoltas que se apresentam \u2013 sem falar dos agentes-duplos \u2013 e em algum momento, no meio da segunda temporada, n\u00e3o temos a menor ideia de para onde estamos sendo conduzidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Drama x Fic\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A narrativa volta a se organizar na 3a temporada, quando conseguimos entender que os misteriosos e emblem\u00e1ticos filmes que movimentam a trama retratam todo um multiverso poss\u00edvel al\u00e9m daquela realidade. Fica clara a amea\u00e7a da exist\u00eancia destes universos alternativos ao<em> status quo<\/em> imposto pelo <em>Terceiro Reich<\/em> na forma de possibilidades que podem significar simplesmente \u201cesperan\u00e7a\u201d. Fica clara tamb\u00e9m que a ambi\u00e7\u00e3o nazista n\u00e3o se satisfaria com a supremacia em apenas uma realidade. Se depois de derrotar os Aliados na guerra os alem\u00e3es logo se voltam contra o Imp\u00e9rio Japon\u00eas (supremacia ariana, pois), nada mais natural do que ambicionar impor-se tamb\u00e9m no multiverso.<\/p>\n\n\n\n<p>A quarta temporada chegou enxuta, bem mais objetiva (o m\u00e1ximo que uma distopia que envolve realidades alternativas pode ser) e conseguiu responder boa parte das perguntas a que se prop\u00f4s. Com o fim do drama Juliana Crain versus <em>Joe Black<\/em> (<strong>Luke Kleintank<\/strong>) \u2013 trama que acabou se revelando deveras in\u00fatil \u2013 todos os holofotes se voltam para o sensacional John Smith. N\u00e3o sei dizer se foi proposital, mas o personagem de Rufus Sewell se apropriou, gradativa e irreversivelmente, da narrativa. Foi o seu arco dram\u00e1tico \u2013 em paralelo com o da esposa <em>Helen Smith<\/em> (uma interpreta\u00e7\u00e3o maravilhosa de <strong>Chelah Horsdal<\/strong>) \u2013 o respons\u00e1vel por nos fazer refletir sobre as melhores e piores \u201cvers\u00f5es de n\u00f3s mesmos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mudan\u00e7a de Protagonista<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Os epis\u00f3dios finais refletem exatamente o dilema dos showrunners de tentar amarrar todas as pontas soltas. Muitos arcos foram sim conclu\u00eddos, mas ficamos com a sensa\u00e7\u00e3o de que poderiam ter sido um tanto melhor desenvolvidos. Se esse foi o caso do maravilhoso e complexo arco de John Smith \u2013 que dominou a narrativa na \u00faltima temporada \u2013 imagina para os demais. O pior caso foi o da <em>Revolu\u00e7\u00e3o Negra Comunista<\/em>, que ganhou for\u00e7a apenas na \u00faltima temporada quando poderia ter protagozinado uma narrativa melhor explorada.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi justamente nesse n\u00facleo que se deu um dos momentos mais preciosos da s\u00e9rie e que, no entanto, pode passar como despretensioso. O que os Estados Unidos teriam efetivamente feito pela comunidade negra antes da ascens\u00e3o do Reich? Com a responsabilidade de propor uma nova na\u00e7\u00e3o, \u201cretomar\u201d a velha Am\u00e9rica, tal qual era, seria uma possibilidade? Que linda e pertinente (e, acima de tudo, atual) \u00e9 essa reflex\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>Eu queria muito falar sobre toda a reflex\u00e3o provocada pelos epis\u00f3dios finais de <strong>O Homem do Castelo Alto<\/strong> mas \u00e9 imposs\u00edvel fazer isso sem spoilers. O destino do Imp\u00e9rio Japon\u00eas \u00e9 surpreendentemente bem conduzido, por exemplo, mas n\u00e3o d\u00e1 para escrever mais do que isso. No mais, assistir a conclus\u00e3o dessa obra em meio aos acontecimentos do ano de 2020 mexeu demais comigo e acredito que deva mexer com muita gente. \u00c9 Imposs\u00edvel ver Helen Smith admitir que seguia as instru\u00e7\u00f5es do Partido sem question\u00e1-las porque \u201csimplesmente lhe parecia o certo\u201d sem sentir um soco no est\u00f4mago.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalizando, sabemos que distopias tendem a deixar seus finais abertos \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o do espectador \u2013 ou mesmo do leitor. O problema \u00e9 que a cena final de \u201c<em>Fire from the Gods<\/em>\u201d acaba deixando mais perguntas do que respostas. A prova disso foi a explos\u00e3o das publica\u00e7\u00f5es do tipo \u201centenda o final de\u201d que se seguiram \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o do epis\u00f3dio. A mim, pareceu um final \u201cpregui\u00e7oso\u201d. Mas sigo recomendando a obra, enfim, pois toda reflex\u00e3o provocada deve ser incentivada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bom, first things first, eu sempre adorei a premissa da s\u00e9rie baseada no romance hom\u00f4nimo de Philip K. 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