{"id":3111,"date":"2020-06-08T16:19:00","date_gmt":"2020-06-08T19:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacau.me\/?p=3111"},"modified":"2026-02-17T20:58:43","modified_gmt":"2026-02-17T23:58:43","slug":"reviews-hybrido-after-life-temporadas-1-e-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacau.me\/?p=3111","title":{"rendered":"[Reviews Hybrido] After Life \u2013 Temporadas 1 e 2"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o h\u00e1 novidade em com\u00e9dias sobre luto. Mas em After Life, Ricky Gervais tenta fazer algo diferente. E tenta com tanto afinco que se perde no caminho. After Life n\u00e3o \u00e9 ruim de assistir. Com duas curt\u00edssimas temporadas de seis epis\u00f3dios (trinta minutos) cada e tendo David Bradley e Penelope Wilton no elenco, a s\u00e9rie passa f\u00e1cil em tempos de confinamento. A obra \u00e9 sobre Tony (Gervais), um jornalista do interior que vive um intenso e recente luto pela morte de sua esposa, Lisa. Quando n\u00e3o est\u00e1 assistindo os v\u00eddeos que Lisa lhe deixou com mensagens que se resumem a \u201cn\u00e3o deixe de viver\u201d, ele est\u00e1 cuidando Brandy \u2013 a lind\u00edssima cadela de estima\u00e7\u00e3o \u2013 ou resmungando contra tudo e contra todos.<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre Tony e Brandy pode nos enganar no come\u00e7o. Perturbado pela perda, Tony n\u00e3o esconde que pensa em suic\u00eddio em todo e a cada dia. E ele tenta nos vender que \u00e9 o fato de ter que cuidar de Brandy que o impede de tomar a tal decis\u00e3o derradeira. Chegamos a pensar que a s\u00e9rie \u00e9 sobre amizade, esperan\u00e7a e supera\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o. Tony n\u00e3o consegue se matar e faz quest\u00e3o de torturar todos \u00e0 sua volta por n\u00e3o terem seus problemas. O t\u00edtulo em portugu\u00eas escolhido pela Netflix j\u00e1 entrega: \u201cVoc\u00eas V\u00e3o Ter Que Me Engolir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele trabalha no jornal local \u2013 de distribui\u00e7\u00e3o gratuita \u2013 e vive de escrever mat\u00e9rias ins\u00f3litas sobre os habitantes do vilarejo onde mora. Com exce\u00e7\u00e3o da cachorra e do sobrinho, \u00e0 primeira vista Tony n\u00e3o poupa ningu\u00e9m. Ele se coloca num pedestal social ou intelectual (ou qualquer outro aspecto que lhe seja conveniente usar de caixote no momento) e se d\u00e1 ao direito de diminuir todos \u00e0 sua volta. E Gervais \u2013 o showrunner \u2013 construiu uma leva de personagens para lhe servirem de sparring, desde os entrevistados do jornal (n\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 normal) at\u00e9 o terapeuta abusivo e eg\u00f3latra, passando por seus colegas de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que Ricky Gervais n\u00e3o nos daria uma com\u00e9dia 100% intrag\u00e1vel. Existem momentos de humor (seja com leveza ou mesmo com morbidez) que s\u00e3o incr\u00edveis. Entre os meus preferidos est\u00e3o aqueles \u2013 calma, sem spoiler \u2013 quando Tony contrata uma prostituta e quando o carteiro pede para usar o banheiro. H\u00e1 di\u00e1logos tocantes, principalmente os de Tony com Anne (Penelope Wilton) no cemit\u00e9rio \u2013 com conselhos que Tony nunca vai seguir \u2013 e h\u00e1 toda a narrativa dram\u00e1tica da conviv\u00eancia com a dem\u00eancia do pai (David Bradley). S\u00e3o honr\u00e1veis tentativas de dar profundidade ao protagonista.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda temporada consegue ser um pouquinho mais ca\u00f3tica, quando surgem as tramas do grupo de teatro, do cunhado de Tony e das dificuldades financeiras do jornal. Tudo isso em seis epis\u00f3dios de trinta minutos, vale lembrar. E nem vou entrar na seara das solu\u00e7\u00f5es pregui\u00e7osas para a produ\u00e7\u00e3o (um casar\u00e3o grande e lindo para um jornalista de um pequenin\u00edssimo jornal local ou paisagens londrinas no interior da inglaterra).<\/p>\n\n\n\n<p>Para concluir, Gervais construiu um Tony com uma depress\u00e3o cr\u00f4nica que n\u00e3o permite que nada funcione em sua vida, nem o acompanhamento psicol\u00f3gico, nem os amigos, o trabalho, um hobby, nada. E isso \u00e9 compress\u00edvel, at\u00e9 emp\u00e1tico para quem conhece a depress\u00e3o em qualquer n\u00edvel. Tony (que \u00e9 obviamente um alter ego de Gervais quando se trata de ate\u00edsmo) ainda faz quest\u00e3o de debochar excessivamente da espiritualidade alheia \u2013 n\u00e3o importa a religi\u00e3o \u2013 que \u00e9 o que normalmente d\u00e1 alento \u00e0s pessoas na hora do luto. Sem entender onde ele quer chegar, acaba ficando dif\u00edcil identificar se o luto de Tony \u00e9 uma ode ou uma cr\u00edtica ao ate\u00edsmo. Definitivamente After Life \u00e9 uma ousadia. Provoca e incomoda. Talvez se aproximasse de seus objetivos (quaisquer que sejam) se fosse menos ca\u00f3tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 novidade em com\u00e9dias sobre luto. Mas em After Life, Ricky Gervais tenta fazer algo diferente. E tenta com tanto afinco que se perde no caminho. After Life n\u00e3o \u00e9 ruim de assistir. 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