{"id":3086,"date":"2020-08-04T04:20:00","date_gmt":"2020-08-04T07:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacau.me\/?p=3086"},"modified":"2020-08-18T04:04:22","modified_gmt":"2020-08-18T07:04:22","slug":"o-viajante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacau.me\/?p=3086","title":{"rendered":"O Viajante"},"content":{"rendered":"\n<p>Ela adorava os viajantes. Os visitantes. Os aventureiros. Aqueles com muita vontade e pouco tempo. Aqueles discretos, ou mesmo com alguma necessidade de segredos. Aqueles que flertam. E o flerte&#8230; Ela adorava o flerte de oportunidade. O flerte de ocasi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela noite ela estava tentada com o que via entre risadas soltas e tradiconais copinhos americanos nunca vazios da cerveja barata e gelada do seu bar preferido. O papo, o sorriso, o sotaque. Ah! Aquele sotaque\u2026 Chegou a se preocupar com a bandeira\u00e7a que estava dando, coisa para a qual ela normalmente cagava.<\/p>\n\n\n\n<p>A noite quente era assunto \u00f3bvio, tamb\u00e9m os trabalhos que ambos faziam cheios de paix\u00e3o, as viagens realizadas e as sonhadas, e os futeb\u00f3is. Eles riam e bebiam, ele envolvido, soltinho; ela em casa, na sua pra\u00e7a, paciente, apenas esperando a brecha. Brecha marota que surgiu quando o assunto migrou para o rock&#8217;n roll, e ela viu os olhinhos mi\u00fados do mo\u00e7o se iluminarem.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto ele discorria animado sobre os shows inesquec\u00edveis, seus astros e bandas preferidos, os punks e o pops, ela se concentrava em v\u00ea-lo brilhar e em mentalmente escolher alguns cl\u00e1ssicos para citar aqui e ali oportunamente. E quando ela mandou &#8220;You Can Leave Your Hat On&#8221; e &#8220;Pour Some Sugar On Me&#8221; quase que em sequ\u00eancia, ele baixou o copo, sorriu e<em> finalmente baixou a guarda. Ela sorriu de volta, vitoriosa.<\/em> <em>Safada<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Em menos de dez minutos j\u00e1 se trombavam rumo ao conjugado que nunca pareceu t\u00e3o longe. Ele se acomodou na \u00fanica poltrona que havia, <em>al\u00e9m da cama<\/em><\/em>,<em> no pequeno c\u00f4modo. \u00c0 vontade, na medida certa entre o tes\u00e3o pronto para explodir e a paci\u00eancia pelo aceno definitivo, que veio na forma de um comprido robe de seda, duas doses de bourbon e uma troca de olhares que o Largo do Machado nunca viu igual.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Entre carinhos e putices, ele era tudo o que ela imaginou. Cada beijo, cada toque, cada pux\u00e3o nos cabelos, cada investida e cada estocada. Gentil e intenso. Gostoso e moleque. Ela estava entregue, suada, usada, gozada e feliz. O encaixe certeiro de cheiros e sentidos. Se possu\u00edram como quiseram. E como se quiseram! Apagaram b\u00eabados um do outro e das cervejas e do bourbon, embolados, acabados e realizados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ela acordou disposta. Suspirou satisfeita contemplando a enorme cama vazia. Da noite anterior, al\u00e9m do cheiro do pr\u00f3prio sexo nas m\u00e3os, as lembran\u00e7as ainda vivas daqueles os olhos mi\u00fados, brilhantes e sorridentes, do copo relutantemente pousando na mesa e da despedida: &#8220;gata, eu t\u00f4 adorando essa cerveja, o seu bar, o nosso papo mas estou tr\u00eababo. Me ajuda a chamar o t\u00e1xi?&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela adorava os viajantes. Os visitantes. Os aventureiros. Aqueles com muita vontade e pouco tempo. Aqueles discretos, ou mesmo com alguma necessidade de segredos. Aqueles que flertam. E o flerte&#8230; Ela adorava o flerte de oportunidade. O flerte de ocasi\u00e3o. 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