{"id":1928,"date":"2010-04-27T21:33:00","date_gmt":"2010-04-28T00:33:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.olheagora.com.br\/novidades\/o-moco-da-poltrona\/"},"modified":"2019-06-16T21:04:49","modified_gmt":"2019-06-17T00:04:49","slug":"o-moco-da-poltrona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacau.me\/?p=1928","title":{"rendered":"O Mo\u00e7o da Poltrona"},"content":{"rendered":"<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><\/div>\n<div>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/poltrona.tv\/wp-content\/themes\/poltrona\/imagens\/poltrona.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"127\" ox=\"true\" src=\"http:\/\/poltrona.tv\/wp-content\/themes\/poltrona\/imagens\/poltrona.jpg\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por gostar de televis\u00e3o passei a seguir no twitter o jornalista Ale Rocha (<a bitly=\"BITLY_PROCESSED\" href=\"http:\/\/twitter.com\/alerocha\">@alerocha<\/a> ou <a bitly=\"BITLY_PROCESSED\" href=\"http:\/\/alerocha.com\/\">http:\/\/alerocha.com\/<\/a> ). Eu achava que iria obter dicas de epis\u00f3dios, links para cr\u00edticas, finais alternativos, etc. Mas me surpreendi ao perceber que a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do especialista em TV transforrnou-se numa indesejada novela. Em 2005 ele foi diagnosticado com <a bitly=\"BITLY_PROCESSED\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hipertens\u00c3\u00a3o_pulmonar\">hipertens\u00e3o pulmonar<\/a> e o \u00fanico tratamento \u00e9 o transplante dos dois pulm\u00f5es. Em alguns casos (como o do pr\u00f3prio Ale) o cora\u00e7\u00e3o acaba enfraquecido e bombeia cada vez menos sangue para o corpo do paciente. Esta \u00e9 a primeira vez que me vejo acompanhando \u201cde perto\u201d um caso parecido. O jornalista altera per\u00edodos de total \u201cnormalidade\u201d, conversando, interagindo com seguidores e comentando programas e s\u00e9ries de TV, com momentos de enorme amargura, relatando noites sem dormir por causas das dores, a luta por rem\u00e9dios, a posi\u00e7\u00e3o da fila do transplante e a ang\u00fastia pelo futuro incerto. Ale se exp\u00f5e sem medo. Fala do seu cotidiano, de sua fam\u00edlia, do seu filho. \u00c9 de cortar o cora\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Falar de doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o \u00e9 simples. Para uma leiga, como eu, pior ainda.&nbsp;A imprensa normalmente s\u00f3 fala no assunto quando existe alguma como\u00e7\u00e3o, um acidente grave ou alguma autoridade\/celebridade envolvida. Pelo que entendo, se algu\u00e9m quer ser doador de \u00f3rg\u00e3os, n\u00e3o precisa de nenhuma burocracia. Basta que ele comunique a decis\u00e3o \u00e0 sua fam\u00edlia e, em caso da ocorr\u00eancia de morte encef\u00e1lica (condi\u00e7\u00e3o <i>sine qua non<\/i>: o c\u00e9rebro morre e o cora\u00e7\u00e3o continua batendo), iniciam-se imediatamente os procedimentos de coleta dos \u00f3rg\u00e3os do doador. Diversos s\u00e3o os sites web afora que debatem a validade da pol\u00edtica de doa\u00e7\u00e3o\/capta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os adotada no Brasil. O percentual de recusa familiar tamb\u00e9m varia muito entre as fontes. Dif\u00edcil saber sem uma pesquisa apurada. A pergunta base \u00e9, considerando nosso sistema de sa\u00fade, como confiar que todos os esfor\u00e7os foram realmente envidados para salvar aquele que amamos? Dif\u00edcil tamb\u00e9m opinar sem vivenciar uma situa\u00e7\u00e3o delicada como essa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na outra ponta, est\u00e3o os quase 60.000 pacientes cr\u00f4nicos que esperam pelo transplante de algum \u00f3rg\u00e3o vital. Para eles o tempo flui em um ritmo diferente, totalmente \u00fanico e particular. A fila, por via de regra, segue o crit\u00e9rio cronol\u00f3gico de inscri\u00e7\u00e3o, independente da gravidade do estado de sa\u00fade de cada paciente. Quem me passou essa informa\u00e7\u00e3o foi o pr\u00f3prio Ale pelo twitter. Hoje ele ocupa a <a bitly=\"BITLY_PROCESSED\" href=\"http:\/\/twitter.com\/alerocha\/statuses\/12882179588\">22\u00aa posi\u00e7\u00e3o na fila<\/a> para o transplante pulmonar (onde s\u00f3 conseguiu ser inscrito em dezembro de 2009).&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nem sei direito&nbsp;porque&nbsp;fiquei t\u00e3o inquieta para escrever sobre isso. Talvez pelos desabafos do Ale. Talvez pela ilus\u00e3o de que gra\u00e7as \u00e0 internet temos o poder de mudar qualquer coisa, seja a consci\u00eancia das pessoas ou a legisla\u00e7\u00e3o pertinente, seja o nosso sistema de sa\u00fade. Talvez pelo meu pr\u00f3prio medo da morte. E acredito que muita gente evite falar nisso porque tamb\u00e9m tem medo da morte. Esse n\u00e3o \u00e9 um assunto que eu tenha presenciado em nenhuma mesa de bar, por mais que tenha amigos maravilhosos e inteligentes. Voc\u00ea mesmo, quantas vezes voc\u00ea j\u00e1 refletiu sobre o assunto? J\u00e1 conversou sobre isso com amigos? Com familiares? J\u00e1 que respirei e parei para falar sobre isso, vou at\u00e9 o fim: eu sou doadora. E gostaria de ver um cen\u00e1rio que desse seguran\u00e7a para que mais pessoas pudessem tamb\u00e9m declarar-se doadoras e talvez atenu\u00e1ssemos o sofrimento de quem est\u00e1 na ponta fr\u00e1gil da fila do transplante.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ao jovem jornalista, continuarei a acompanhar sua novela da vida real. O que mais me fascina em sua hist\u00f3ria? \u00c9 que, por mais que desabafe, ele sempre termina demonstrando uma incompar\u00e1vel for\u00e7a. Ele vive um dia de cada vez. Sacode as poeiras de cada cada batalha pessoal e segue em frente. \u00c9 admir\u00e1vel. Sigo aqui, torcendo pelo seu final feliz.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em tempo:<\/div>\n<div>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">A primeira de uma s\u00e9rie de reportagens que o <a bitly=\"BITLY_PROCESSED\" href=\"http:\/\/fantastico.globo.com\/Jornalismo\/FANT\/0,,MUL1082612-15605,00.html\">Fant\u00e1stico<\/a> fez com o Dr. Drauzio Varella sobre a fila do transplante.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">O site da <a bitly=\"BITLY_PROCESSED\" href=\"http:\/\/www.adote.org.br\/index.php\">ADOTE<\/a> &#8211; Alian\u00e7a Brasileira pela Doa\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os e Tecidos &#8211; muitos simples e objetivo.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">O link para a <a bitly=\"BITLY_PROCESSED\" href=\"http:\/\/portal.saude.rj.gov.br\/guia_sus_cidadao\/pg_82.shtml\">Central de Transplantes<\/a> atrav\u00e9s da Secret\u00e1ria de Sa\u00fade do Estado do Rio de Janeiro.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">(Update 29\/04) A comovente hist\u00f3ria da jovem canadense Eva Markvoort, <a href=\"http:\/\/migre.me\/Aqjd\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/migre.me\/Aqxw\">aqui<\/a>.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por gostar de televis\u00e3o passei a seguir no twitter o jornalista Ale Rocha (@alerocha ou http:\/\/alerocha.com\/ ). 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