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Você já foi fofo. E agora?

Passou o Dia das Crianças e os avatares vão, aos poucos, retornando à atualidade. Na brincadeira de voltar a ser criança, a fofura – própria e alheia – inundou nossas timelines com franjinhas, laços de fita e bochechas pedindo para serem apertadas. Uma divertida viagem no tempo para muita gente e para mim, inclusive. Aí vi a foto acima numa postagem no facebook. Morri de rir é claro mas depois me peguei pensando em quantos vilões da vida real também já foram crianças fofas um dia.

Suzane Louise von Richthofen

E aí que pipocou na internet a pergunta: a criança que você era teria orgulho do que você é hoje? Muita gente fez um balanço de sonhos: o que queria versus o que realizou. Mas eu não consegui desapegar da dicotomia bem x mal. Quão “vilão” nós nos tornamos e quanto reconhecemos disso? E até mais simples e mais especificamente: qual a distância entre o que pregamos e o que fazemos? A cena típica da criança no carro dos pais questionando o desrespeito ao sinal vermelho que acabou de presenciar. A nossa enorme dificuldade em escolher entre fazer o que é fácil e fazer o que é certo (#Dumbledorefeelings). Afinal ser bom e digno de orgulho dá trabalho. E eu humildemente acho que é aí que deve estar a explicação para o como perdemos essas fofuras para “o lado negro da força”.

Vestindo a carapuça

“Resolvi que hoje vamos falar sobre felicidade”, disse a elegante senhora em tom professoral. Naquele momento estremeci. Eram umas trinta pessoas na sala e eu estava certa que era para mim que falava aquela senhora. Justamente porque tudo o que não quero falar é sobre felicidade mas principalmente porque sei que, quando se fala em felicidade, fatalmente se fala de escolhas. Não é uma boa época para me fazer encarar minhas escolhas. Esbarro com elas todos os dias. Um companhia incômoda que faço questão de menosprezar, a despeito da insistência daquilo que acredito ser a minha tal implacável consciência.

Nada me assusta mais do que a plena consciência das minhas fraquezas. Porque a maior delas parece ser a total incapacidade de reagir ou superá-las. Inception. Areia movediça. Covardia de reconhecer que encaixotei minha gana e a deixei em alguma curva do caminho? Não sei. Parece tudo o mesmo. E, enquanto a voz baixa daquela senhora falava em filósofos, estudiosos e nos conceitos de felicidade dos povos e através dos tempos, eu revisitava minhas escolhas, sem conseguir mais discernir o que tinha me levado aonde e assitindo o desfazer da conveniente certeza de que sempre algo de bom sobressaiu ao que parecia ser alguma iminente catástrofe.

A voz era de uma desconhecida mas era meu próprio dedo que se sacudia acusador à frente do meu rosto. Não precisava daquela senhora para me dizer quem sofreria as consequências das minhas escolhas. Eu sempre soube, só preferi nunca falar disso (aquela solução mágica de fazer o problema desaparecer simplesmente por não lhe fazer menção). Agora estou aqui escrevendo. Deve significar alguma coisa. Espero que signifique.

Das mudanças

“The world is changed. I feel it in the water. I feel it in the earth. I smell it in the air. Much that once was is lost, for none now live who remember it.

Alguém disse ou escreveu que a única constante da vida é a mudança. Já falei tanto de mudança por aqui. O problema é que agora eu estou mais cansada, menos aberta a estas tantas novas mudanças. Na verdade eu não estava nem um pouco preparada para a maior mudança de todas: a ausência de Dalvinha na minha vida. Perto disso, todo o resto é quase futilidade. Não deveria, mas é como se fosse.

E nessa de mudar tudo de novo, estou aqui, no blog novo (thanks by the way ao Roney, ao Bruno Nin e ao Cristiano) direto do quarto novo (thanks pra Cissa) tentando manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Batalhando para ser eu mesma novamente, a tarefa mais difícil dos últimos tempos.

Reencontrar é preciso.

Em tempo: para os não iniciados, a citação no início do post é de Galadriel em O Senhor dos Anéis.

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