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Eduardo & Mônica

Voltei no tempo. Hoje pela manhã foi como se o tempo tivesse voltado a 1986. Estou de volta à sétima série, ao pátio do Colégio Santa Maria, às mesinhas da Degrau Lanchonete, aos bancos dos ônibus da Flores, aos corredores do CCAA. E, onde quer que fosse, sempre que tinha uma musiquinha rolando, não tardava a tocar Legião Urbana. Era a hora e a vez do disco DOIS – O Disco – que tinha, entre outras, “Daniel Na Cova Dos Leões“, “Quase Sem Querer“, “Acrilic On Canvas” (uma de minhas favoritas ever), “Tempo Perdido“, “Andrea Doria” (outra das favoritas ever), “Fábrica“, “Índios” e “Eduardo e Mônica“.

Naquela época eu mal havia beijado na boca. Tinha várias paixões e subsequentes desilusões intensas. E eu não entendia como a Mônica podia olhar pro Eduardo – que tinha 16 – porque na verdade eu morria de ciúmes, achando que eram tipos como a safada da Mônica que não deixavam o Eduardo que só tinha 16 olhar para as meninas de 13, como eu. Ou seja, queria me convencer que a Mônica era uma retardada, fazendo medicina e dando confiança pro pirralho que podia ser da minha turma no cursinho de inglês. Com o passar do tempo fui me acostumando com a ideia de rapazes fascinados por garotas mais velhas e fui aprendendo a curtir a baladinha que era sobre muito mais do que só isso.

Era a história bem humorada de um casal cheio de diferenças que ralou pra ficar junto. Não um casal que superou as diferenças, mas que aprendeu a viver com elas. Porque cada detalhe bizarro de um acrescentava algo inesperado ao outro, um novo ponto de vista, uma jeito diferente de viver, perspectivas diversas, fora de suas próprias curvas. E só assim, juntos e separados, eles seguraram legal a barra mais pesada que tiveram. Era difícil imaginar tanta diferença danto certo, mas hoje, às vésperas do dia dos namorados, a agência África, a O2 Filmes e a Vivo conseguiram fazer um filminho publicitário (dirigido por Nando Olival) só para o youtube, que respeitou a simplicidade da letra de Renato Russo e colocou na telinha as espectativas de toda uma geração.

Eduardo e Mônica talvez já estejam separados, mas devem ser daqueles casais que continuam amigos de vida inteira. Se juntos ainda, talvez estejam comemorando suas Bodas de Prata. Não com festa pomposa – que seria a cara do Eduardo – mas com mais uma viagem. Não interessa o final. O legal é o durante, que fez parte da vida de muitos adolescentes, como eu.

De volta ao começo

A primavera não é mais a mesma. Que friozinho chato! Acho que Julinha em Londres deve estar mais confortável que a carioca aqui. O pior é que o pequeno pedaço de céu que me cabe e ausência de vento (e suas variações) no vão entre os prédios para os quais minha janela se abre não me permitem sequer decidir com um pouco mais de presteza se eu devo ou não trazer um casaco. Creio que se eu criasse o hábito de dar um passeio básico pela manhã (pelo menos até a padaria) eu resolveria este problema, mas minha cama quentinha não é o estimulante mais adequado. Resta-me agora ficar quietinha dentro do escritório sem arriscar-me gelar meu nariz no ventinho gelado que vem da Baía.

Mes chers amis d’Aliance: Moi, Bruna, Daniel , Fernando e Dayanna – foto de 19/10/04.

O Multishow mostrou ontem um especial com o Rock Brasileiro dos Anos 80. Estavam no programa o Léo Jaime, Arnaldo Brandão, Leoni e George Israel. A melhor parte sem dúvida eram os ciples. Céus! O que era aquilo? Quem, em sã consciência podia curtir tais aberrações e, pior, ainda pagar para ouví-las em play-back? “O pior é que eu góstio!” – responde Cacau, jovem de 13 anos, moradora de São João de Meriti e estudante ginasial do Colégio Santa Maria, nos idos de 86. Nossa memória é uma coisa (não sei que outra palavra usar) interessante, não é? Basta um acorde, um cheiro, uma palavra e você volta no tempo instantaneamente. No decorrer do programa de ontem, viajei muito estirada em meu sofá. Revivi paixões (e como me apaixonei!) e revisitei lugares e pessoas. Pena que o “Rock errou” e “sumiu, desapareceu, escafedeu-se”. Agora ele está diferente. Menos punk, mais pop, porém sobrevive a poesia.

“Às vezes parecia que, de tanto acreditar
em tudo o que achávamos tão certo,
teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais:
faríamos floresta do deserto
e diamantes de pedaço de vidro.
Mas percebo aogra que o teu sorriso vem diferente,
quase parecendo te ferir….
Não queria te ver assim!
Quero a tua força como era antes.
O que tens é só teu
e de nada vale fugir e não sentir mais nada.”
(Renato Russo)

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