Azul da cor do mar

Eu trabalho em grandes empresas desde que minha carreira se definiu na área de suprimentos. Foram 9 anos no maior grupo de Comunicações do Brasil e, de 2005 até o mês passado, vinha atuando em multinacionais líderes em seus respectivos mercados. A leitura de colunas, revistas ou livros que falam de economia e negócios, gestão e governança, liderança e afins, faz parte do meu dia-a-dia. Foi assim que me familiarizei com os nomes de Luiz Eduardo Baptista, Wallin Vasconcellos, Rodolfo Landim, Carlos Langoni, entre outros.

São todos executivos bem sucedidos, referências em suas respectivas áreas de atuação e comandantes de grandes organizações. E quando você trabalha em organizações semelhantes, você aprende que essas pessoas não estão ali à toa. A competitividade do moderno mundo corporativo não o permitiria. O que eu não conhecia – e que obviamente me surpreendeu – foi ver o lado mulambo destes senhores: altos executivos que citam escalações de 10, 20 ou 30 anos atrás, que reclamam do zagueiro, xingam a arbitragem e contam casos de arquibancada como qualquer um de nós, arrogantes mulambos mortais (sim arrogantes, por que nenhum almofadinha podia ser mais Flamengo do que eu, por exemplo, que tomei banho de mijo nas gerais do velho Maraca).

E, de repente, cá estão estes senhores, tão apaixonados e indignados quanto eu, mas disponíveis e dispostos a profissionalizar o Mengão. Em suas propostas, falam de contratos, fluxo de caixa, valor de marca, marketing institucional e marketing de relacionamento, produtividade e meritocracia. Há quem diga que falam em soluções mirabolantes de gestão, mas não! Não é nenhuma fórmula mágica. É administração. É planejamento. É o que qualquer um que queira abrir seu negócio aprende de graça no Sebrae. Não tem delírio nem historinha aqui. É tudo plausível. E eu, que sempre pedi coerência (afinal já escrevi muito sobre o modelo falido de gestão de contratos, sobre o desgaste das marcas, sobre a ineficiência tributária ou contábil, sobre a falta de limites para funcionários e atletas, e etc), seria inteiramente incoerente se não vislumbrasse nestas propostas, a resposta a tudo o que sempre pedi para o Flamengo: organização, seriedade, gestão responsável e respeito. Muito respeito.

É muito simples: nossos fornecedores são profissionais, nossos parceiros são profissionais e os patrocinadores que queremos, obviamente, se apresentarão através de experientes negociadores. Está mais do que na hora dos nossos negociadores também serem profissionais. Deixar que essas pessoas que conhecem modelos modernos de governança, comprovadamente efetivos, remodelem os processos do clube e tragam luz e transparência às rotinas do Mais Querido. Por que temer uma proposta assim?

Desde que a Chapa Fla Campeão do Mundo foi lançada eu não li ou ouvi nenhum debate de ideias que desonerasse qualquer uma das suas propostas. Todas as críticas são vazias. Ataques pessoais ou puro desperdício de ironia: “os barões das SAs”, “o Brooklyn paulista” e outras tantas balelas. Falácias. Cada vez que leio ou vejo algo assim eu fortaleço a minha convicção de que eles estão acertando na mão. Porque se tudo o que os opositores têm a dizer sobre eles é que “eles não sabem o que é o Flamengo” é porque, meu amigo, não há mais nada a questionar, não é mesmo? Porque se houvesse, eu não tenho a menor sombra de dúvida de que estaria sendo questionado (como o fez Luiz Filho, no Pedrada, que desconstruiu – ponto a ponto – a plataforma da situação). Há legitimidade na debate, na discordância, e o que me entristece é que eu realmente não vi ninguém apresentar qualquer argumento não-leviano de que a proposta da Chapa Azul tenha alguma inconsistência técnica, comercial ou mesmo Flamenga.

Tenho uma grande frustração na minha vida : nunca ter me organizado para ser hoje sócia proprietária do CRF. Como eu invejo quem pode votar neste pleito.  Porque essas pessoas têm uma oportunidade de ouro nesta segunda feira. Elas têm nas mãos o poder de lançar o Flamengo à vanguarda da administração esportiva e devolve-lo ao seu lugar no Olimpo do futebol. Nunca o azul foi tão vermelho e preto.