O que eu quero? Respeito!

Lá se vai mais de um século de Dia Internacional da Mulher. Em tempos de acesso simples a fontes históricas, nunca houve tanta gente sem saber exatamente do que se trata. É quase uma festa. Um dia de homenagens. ~Parabéns, por ter nascido mulher, por ser linda e delicada e sensível e por ter o dom de gerar a vida~ e por aí vai. Não! Não quero parabéns por ter nascido com útero. Quero respeito! E (me desculpe, Aretha) nada de a little. Quero todo o respeito que mereço. No mínimo do tamanho desse século de lutas.

Vejamos o videozinho abaixo e sejamos totalmente honestos: quantos destes rótulos nós já não repetimos, em voz alta ou em voz baixa, voluntária ou involuntariamente?

Essa é apenas uma das lutas diárias. Pela igualdade de fato. Contra o machismo entranhado que nem sentimos. Contra o sexismo aceitável da piadinha ou do assédio. E agora, contra a “festivização” do 8 de março. Não é o endeusamento da mulher. Parem! Não minimizem ou banalizem a batalha de tantas mulheres que arriscaram vidas e reputações e empregos para que hoje possamos ter voz, ter representatividade, ter escolha. Ter escolha. A escolha de ser quem e o que quisermos. E que essa escolha, ou melhor essas – todas e quaisquer – escolhas sejam respeitadas.

No meu imaginário perfeito, no Dia Internacional da Mulher, a mobilização seria para o exercício do anti-sexismo. Escolinhas, escolas, universidades, centros comunitários, empresas, programas de TVs, todos colocando o dedo na ferida das piadas ofensivas tão toleradas (ou aceitas e propagadas mesmo) de cunho sexista. Debatendo os cenários de humilhação e escárnio do revenge porn.  Desenhando os direitos e deveres dos cidadãos – da igualdade desses deveres e direitos – e aplicando isso ao direito de ir e vir da mulher – com a roupa que bem entender – e que isso não dá a ninguém o direito de abordá-la à revelia da sua vontade e muito, muito menos de estuprá-la com base num julgamento deturpado de valores e poderes. Só exemplos, claro.

Neste Dia Internacional da Mulher perfeito, não haveria acusações gratuitas de ~feminazismo~ por celebrarmos estas vitórias históricas ou cotidianas. Apenas uma perene e linda ode ao respeito. E assim, quem sabe um dia, não respeitaremos homens ou mulheres: respeitaremos a pessoa.

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Adaptações

Sabe quando você tem muita coisa na cabeça? É mais ou menos isso aí…

“Do I have an original thought in my head? My bald head. Maybe if I were happier, my hair wouldn’t be falling out. Life is short. I need to make the most of it. Today is the first day of the rest of my life. I’m a walking cliché. I really need to go to the doctor and have my leg checked. There’s something wrong. A bump. The dentist called again. I’m way overdue. If I stop putting things off, I would be happier. All I do is sit on my fat ass. If my ass wasn’t fat I would be happier. I wouldn’t have to wear these shirts with the tails out all the time. Like that’s fooling anyone. Fat ass. I should start jogging again. Five miles a day. Really do it this time. Maybe rock climbing. I need to turn my life around. What do I need to do? I need to fall in love. I need to have a girlfriend. I need to read more, improve myself. What if I learned Russian or something? Or took up an instrument? I could speak Chinese. I’d be the screenwriter who speaks Chinese and plays the oboe. That would be cool. I should get my hair cut short. Stop trying to fool myself and everyone else into thinking I have a full head of hair. How pathetic is that? Just be real. Confident. Isn’t that what women are attracted to? Men don’t have to be attractive. But that’s not true. Especially these days. Almost as much pressure on men as there is on women these days. Why should I be made to feel I have to apologize for my existence? Maybe it’s my brain chemistry. Maybe that’s what’s wrong with me. Bad chemistry. All my problems and anxiety can be reduced to a chemical imbalance or some kind of misfiring synapses. I need to get help for that. But I’llstill be ugly though. Nothing’s gonna change that.”

Extraído da cena inicial de Adaptação (2002).

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Perdas e danos

~me disseram que você estava chorando~

claro que estava

feliz

olhos brilhantes

quase ~vi~

mas ~me disseram~

e por isso eu chorei

e morri

mais uma vez

no processo de destruir o meu ideal de nós dois

perdi o seu ideal de nós dois

perdi

 

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Gravidade, o meu olhar

Não vou bancar a cinéfila. Não vou falar de roteiro, de fotografia, no mérito ou demérito do 3D. Quem quer resenha profissional sabe onde procurar. Quero falar apenas que Gravidade funcionou comigo. Mesmo. Cada giro da câmera me colocou no lugar da Dra. Ryan Stone. Cada respiração dela embaçava as lentes do meus óculos. Cada susto dela, e meu coração quase saía do peito. O que ela sentia lá, eu refletia aqui. Estranhamente sincronizado. O medo absoluto e avassalador da imensidão de nada ao seu redor. Don’t let go. O terror da solidão involuntária. Let go. A solidariedade na falta de esperança. O fim.

No fim, uma grande metáfora de escolhas. Ao extremo. Pois não basta apenas sair da zona de conforto (você é uma especialista que tem a chance de ir ao espaço), é preciso lidar com todas as adversidades possíveis. Murphy às avessas. Ou Murphy puro e aplicado. Não sei… Sei que vale muito a grana do ingresso e da pipoca e o desconforto dos óculos 3D (aqui vale parênteses: a experiência de imersão não acontece apenas por conta da opção pelo 3D, mas pelo cuidado de nos colocar no lugar da protagnista, descobrindo a coisas junto com ela, sem narração, sem explicação, apenas vendo o que ela vê e isso é sensacional). Sério. Cuarón me arrebatou. Me tirou o fôlego e o chão. Fim.

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José de Alencar, taxista

José de Alencar, taxista (Cooperativa Centraltaxi, carro 085). Nasceu em Minas, cresceu no Rio Grande do Sul – de onde ainda guarda o sotaque -, passou por Pernambuco e voltou a Minas para criar gado. Por 20 anos. Desistiu de brigar com a falta de mão-de-obra e veio para o Rio. Procura terra para comprar em Goiás enquanto taxeia cariocamente. Cantarola compondo como repentista no final fechado. Ao chegar ao (meu) destino, agradece pelo prazer de lhe conceder a corrida e a companhia. José de Alencar, taxista, 93 anos. Nem o olhar diz.

– Mas como, seu José, o senhor está 93 anos não parecendo nem 60?

– Trabalho, minha filha. Muito trabalho e amor à vida. E namoradinhas de amigos meus, de vez em quando.

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O dia que “virei” atleta paralímpica!

Quando entrei para este time eu disse aqui mesmo que me sentia como uma atleta alcaçando o índice olímpico. Hoje, faltando três anos para os Jogos Paralímpicos Rio 2016 o espírito é esse: somos todos um tanto atletas, treinando todos os dias para mostrar nossa melhor performance!

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Mixed feelings

Achava que seria como um luto, em fases, dolorosas porém longas. Mas não. Parece mais uma montanha russa a coisa toda. Ceticismo, mágoa, autopiedade, derrota, inveja, solidão, desdém, arrependimentos, saudade, medo, impaciência, cansaço. A verdade é que nem montanha russa é. Tá mais pra trem fantasma. O horror! O horror. Não é pra tanto, a gente sabe. Mas tá tudo aí, junto e misturado. Difícil dizer o que predomina. Cansaço talvez. Ou egoísmo. Uma bosta de uma forma ou de outra. Who cares. É o que temos pra hoje.

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Sinal fechado

Acorda com o gosto do sal do fim de semana. Levanta na obrigação. Engole o choro. Engasga com a lembrança da derrota. Deságua junto com o chuveiro. Descarrega o corretivo sob os olhos. Disfarça na roupa caprichada pros olhos do mundo. Mareja no táxi. Respira, suspira, bufa. Engole mais choro. Trabalha na merda. Acaba o dia. Lê o que não teve coragem. Desaba. Soluça. Respira. Encara Paulinho, mesmo sabendo que o samba pode aumentar o descompasso dos hojes. Lembra do espinho e da flor. Derrapa no sinal fechado. Se percebe na cena, a própria, mas num futuro embaçado. E o presente fica embaçado também. Mas nem. São só seus olhos.

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Sinais

Você deve ser uma pessoa muito errada se a plena felicidade de alguém te faz infeliz. Pior, te deixa em um estágio miserável de tristeza. Você pede que te deixem ir e depois os odeia por terem deixado. Pior, você se odeia por odiar. Você quer gritar por socorro mas não quer que ninguém escute – mentira, você quer que uma pessoa apenas escute e faça alguma coisa, mas você sabe que é impossível – por que é embaraçoso. Você é do tipo de pessoa que escuta, nunca que fala e não há mal nenhum em falar ou mesmo gritar de vez em quando. Mas você não consegue. E quer que adivinhem. Não dá. Não dá. Acorda pra vida: não dá pra ser assim, gata.

Os sinais estavam espalhados por aí. A vida, essa irônica, que estava sempre decidindo por vocês. Você já não fazia parte da vida dele. Sem culpa daqui ou dali, mas o fato é os olhos não brilhavam mais, os códigos sumiam aos poucos, as músicas não tocavam mais e, por mais que você procurasse, não havia mais entrelinhas. Cada vez menos até não haver mais… Fim.

E é isso. Eu sei que hoje a sua vontade é chorar até sumir. Mais uma dor absurda. Mais uma pessoa que vive sem você. Mais uma morte mesmo. Mais um fundo do poço e mais um longo caminho sabe lá para onde, mas que precisa ser percorrido. Mas é só isso. A vida é cíclica. Você já passou por isso antes. Mas também sei que passa. Você sabe que passa. Justamente porque já passou em outras tantas vezes. E porque você já passou por isso outras tantas vezes. É isso.

Chore. E durma. Você precisa dormir.

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Em 10

Não sei mais escrever. Algumas poucas pessoas que me cercam devem conseguir entender o peso desta afirmação. Não sei mais extrair suco de letras do meu cotidiano ou dos meus sentimentos. Sei que já disse isso outras vezes. Sei que não sou a única a me questionar o tempo inteiro. Nestas últimas semanas tenho pensado muito sobre isso. Questionar-se. A ponto de pensar em acabar com alguns espaços que há um certo tempo não são mais produtivos. Isso me dá um arrepio indescritível. Cortaria certos laços. Muitos podem dizer que me daria tempo para outras coisas. Mas nem é isso. Sigaria apática offline da mesma forma. 
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