É como se ela investisse suas economias em terrenos na lua. Ela sabe que não pode compartilhar essas decisões – o mundo “moderno” curiosamente não está pronto para tanto – mas as toma repetidamente dia após dia, noite após noite. Afinal, é a lua. A música que toca soa – diria a moça de alcunha de cor – como “uísque barato”. Gosto de música ruim. As mãos dançam no ar. Na verdade é só a abertura do seriado da TV: Um piano classudo metido a suado fazendo as vezes de cabaré. Não queria estar ali. Manda mensagens ao vento e, nesse dia, o (um) elemento soprou de volta. Se distrai com o barulho da unha roçando a fronha. Estúpida. Não controla o pensamento e chora quando quando percebe o absurdo da metáfora. Lembra da possibilidade sorridente ali que, de tão próxima, vira  impossibilidade. Terrenos na lua, tão atraentes. Tão seus. Sabe que são seus. Será que são? Sim, algumas vezes ainda o são, sim. Outras estão longe, sendo lua-de-mel para alguém. Perdeu, playboy. Passou o tempo e o segredo nunca foi tão solitário. Olha pro lado e vê uma barba ranzinza que lhe convém. Um terreno baldio bem terreno. No lua for you, beibe. Um satélite artificial. Nada mais que um subterfúgio na forma de vento. Ou apenas uma escala para chegar… ao sono.

PS: post inspirado num filme onde um blogueiro poeta posta sobre comprar terrenos em Marte.