Passou o Dia das Crianças e os avatares vão, aos poucos, retornando à atualidade. Na brincadeira de voltar a ser criança, a fofura – própria e alheia – inundou nossas timelines com franjinhas, laços de fita e bochechas pedindo para serem apertadas. Uma divertida viagem no tempo para muita gente e para mim, inclusive. Aí vi a foto acima numa postagem no facebook. Morri de rir é claro mas depois me peguei pensando em quantos vilões da vida real também já foram crianças fofas um dia.

Suzane Louise von Richthofen

É inevitável lembrar de Marx, Hegel, Hobbes e outros e suas teorias do homem que é produto do meio ou do homem que é o lobo do homem. Bate um desânimo. Porque não estou falando só dos casos extremos como o da menina Suzane, mas de vários níveis de “vilania”, casos do dia a dia. Pessoas que nos cercam e se mostram mesquinhas ou mentirosas. Que gastam energia para prejudicar outras pessoas e que, na maioria das vezes, acham que têm razão e sequer se dão conta do mal que estão fazendo. Não digo que todo mundo tem que gostar de todo mundo, mas me entristece demais que algumas pessoas não optem por simplesmente ignorar seus desafetos e se deem ao trabalho de atacar.

E aí que pipocou na internet a pergunta: a criança que você era teria orgulho do que você é hoje? Muita gente fez um balanço de sonhos: o que queria versus o que realizou. Mas eu não consegui desapegar da dicotomia bem x mal. Quão “vilão” nós nos tornamos e quanto reconhecemos disso? E até mais simples e mais especificamente: qual a distância entre o que pregamos e o que fazemos? A cena típica da criança no carro dos pais questionando o desrespeito ao sinal vermelho que acabou de presenciar. A nossa enorme dificuldade em escolher entre fazer o que é fácil e fazer o que é certo (#Dumbledorefeelings). Afinal ser bom e digno de orgulho dá trabalho. E eu humildemente acho que é aí que deve estar a explicação para o como perdemos essas fofuras para “o lado negro da força”.