Tudo bem, tudo bem. Aqui no perfil ao lado diz que sou mangueirense. E sou! Adoro a verde-e-rosa de todo o meu coração. Mas acima de tudo sou carioca e amo o samba em si antes de qualquer coisa. E por isso não escondo que alimento um respeito sem fim por algumas outras agremiações como Império Serrano, Acadêmicos do Salgueiro, Estácio de Sá, União da Ilha e Portela. São escolas que têm por tradição, além da tradição em si obviamente, uma incontável lista de desfiles memoráveis e sambas que são cantados até hoje.

Há muito tempo os sambas-enredo se transformaram em uma sequência de palavras que são colocadas juntas para dizer desesperadamente tudo o que o enredo pede. O ritmo então nem se fala… Acelerado em excesso, parecendo mais marchas do que sambas. Mas 2009 mostrou que há luz no fim do túnel. Mesmo não sendo perfeitos, no carnaval deste ano reinaram impávidos dois sambas-enredo: Portela e Salgueiro.

Pelo terceiro ano consecutivo o samba da Portela é de autoria de Diogo Nogueira, Ciraninho e cia. Não sei se por influência do DNA dos Nogueiras, mas os últimos sambas portelenses têm tido uma cadência mais melodiosa e as letras voltaram a ter mais poesia como um bom samba deve ter. Quer um exemplo?

“São vinte e uma estrelas que brilham no meu olhar
Se eu for falar da Portela não vou terminar
Lá vem minha águia no céu da paixão!
O azul que faz pulsar meu coração!”

Assim, lamento imensamente as duas notas 9,8 mais injustas de 2009: para a bateria e para o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Portela. Em cada um dois quesitos, três jurados concederam notas 10 e um deu apenas 9,8. Esses quatro décimos não levariam o campeonato para Madureira mas dariam um honroso vice-campeonato para os digníssimos seguidores da águia que fizeram um desfile muito mais apaixonante do que a então hegemônica Beija-Flor de Nilópolis.

Quanto ao Salgueiro… Ah! O Salgueiro! Foi o primeiro samba de 2009 que eu escutei e na hora eu vi que daria caldo:

“Vem no tambor da academia
Que a furiosa bateria vai te arrepiar
Repique, tamborim, surdo, caixa e pandeiro
Salve o mestre do Salgueiro!”

Um samba forte que dizia a que vinha e que exaltava aquele sem o qual o carnaval brasileiro simplesmente não existiria: o Tambor. Nada de enredos complicados cheios de palavras diferentes que dão a impressão de que o carnavalesco só quer se exibir vomitando sua cultura superior à nossa, réles mortais (por exemplo: “o mundo místico dos Caruanas nas águas do Patu-anu”, “Cana caiana, cada roxa, cana fita, cana preta, amarela, Pernambuco, quero vê descê o suco na pancada do ganzá”, ou “Catarina de Médicis na corte dos Tupinambôs e dos Tabajéres”). Simples assim: O Tambor. Genial! O samba pegou de prima, o carnavalesco elaborou e executou um desfile fantástico e a escola brilhou cantando e contagiando a todos durante cada um dos 82 minutos de desfile. Não tinha como ser diferente: Salgueiro – com a sua tijucana Furiosa – campeão do carnaval 2009!
 
Ah! E já ia esquecendo: Salve a Ilha do Governador!!!