E não é que depois de 500 anos, o Ocidente descobriu finalmente o caminho para as Índias, ou melhor, para a Índia? Via satélite ora! Lembro-me quando, há aproximadamente 10 anos, um professor na faculdade fez questão de destacar que a maior indústria cinematográfica do mundo não era a norte-americana, mas a indiana. Ele ressaltou que seria difícil o mundo se tocar disso porque a maioria dos filmes seria um tanto ‘caricato’, refletindo muito intensamente a cultura local. Assim, as estórias, as comédias ou mesmo os conflitos ali retratados não fariam muito sentido para os estrangeiros e o sucesso de Bollywood estaria fadado aos limites fronteiriços da terra de Gandhi.

Não foi muito depois disso que o estilo indiano de ser começou vazar para o Ocidente. Lembro do sucesso que fizeram o filme Um Casamento à Indiana de 2001 e a comédia Driblando o Destino de 2002, que revelou a linda Parminder Nagra para viver a Dr. Neela de E.R. E isso porque eu nunca pesquisei muito o assunto e só assisti esses dois porque zapeava despretensiosamente.

No Brasil a onda agora é separar parentes, amigos e colegas de trabalho entre brâmanes e dalits. O brasileiro virou especialista em cultura indiana desde o início da novela Caminho de Índias. E a Portela usou o Taj Mahal para ilustrar sua exaltação ao amor durante o seu carnaval. Salve a globalização!

Na premiação do Oscar não foi diferente. Mesmo sem a influência de Glória Perez, Quem quer ser um milionário arrebatou sete estatuetas e a Índia ainda levou um oitavo prêmio com Smile Pinki. Parece que até o Primeiro-Ministro se manifestou a respeito! Eu ainda não assisti tal fenômeno cinematográfico, mas deve ter seu valor e o farei em breve.

O restante da noite de entrega dos prêmios da Academia não foi tão surpreendente. Pelo que eu havia lido antes da premiação, ganharam os favoritos na maioria das categorias. Pessoalmente prefiro Anne Hathaway à Kate Winslet, mas acho que a Academia a fará ralar um pouco mais antes de lhe dar um Oscar. Mas na minha humilde opinião, o grande injustiçado da noite foi a animação Wall-E por não ter levado os prêmios de mixagem e edição de som. Criar TODA a ambientação sonora para um filme quase sem diálogos foi um trabalho simplesmente irretocável e me deixou de queixo caído.

No mais, mil vivas a Hugh Jackman – o homem que deu um ar de contemporaneidade e sofisticação à cerimônia do Oscar brilhando tanto quanto o orgulho do povo indiano e quase ofuscando os demais superstars. É bom ver que temos um artista mais que completo por trás de um personagem tão sombrio quanto o bom e velho Wolverine.