Em meio ao turbilhão de eventos postáveis dos últimos tempos, nada me despertou mais inspiração para reativar o TdS do que uma palavra: Madureira. Coração do subúrbio carioca, o famoso bairro carioca sempre esteve presente em minha vida. Nascida e criada em São João de Meriti, era fácil – e posso dizer até obrigatório, freqüentar Madureira. Hoje existe o Shopping Grande Rio lá na terrinha, mas nos idos de 80 e qualquer coisa, só tínhamos o Madureira Shopping Rio. Cinema? Tudo bem que havia o Art (argh) e o Santa Rosa (hmm), mas nenhum se comparava com “O” São Luiz lá em Madureira. Sem falar que, fora da Av. Rio Branco, na minha cabecinha oca, só em Madureira havia McDonalds! Era um espetáculo!

Minha infãncia e muito menos minha adolescência não teriam sido as mesmas sem passar por Madureira. “Passar” mesmo, literalmente. O bairro sempre foi baldeação praticamente obrigatória para mais da metade dos endereços que eu precisa ir, principalmente de família. O pensamento era mais ou menos esse: na dúvida, vai para Madureira porque de lá com certeza você chega onde quiser. Compras de Natal? Madureira! Dia das Crianças? Madureira? Balangandãs de carnaval? Madureira, claro! Mas carnaval é quase um anagrama de Madureira. O bairro respira Samba e transpira carnaval.

Bom, o fato é que existe muita gente mais capaz de falar bonito de Madureira do que eu. E foi isso que me trouxe aqui hoje. Ou melhor, foi ele: Arlindo Cruz. Direto do Lapa 40° para o TdS, via Grammy Latino (é isso mesmo, ele concorre ao GL com essa música), com vocês:

O Meu Lugar
(Arlindo Cruz e Mauro Diniz )

O meu lugar
É caminho de Ogum e Iansã
Lá tem samba até de manhã
Uma ginga em cada andar
O meu lugar
É cercado de luta e suor
Esperança num mundo melhor
E cerveja pra comemorar

O meu lugar
Tem seus mitos e Seres de Luz
É bem perto de Osvaldo Cruz,
Cascadura, Vaz Lobo e Irajá
O meu lugar
É sorriso é paz e prazer
O seu nome é doce dizer
Madureira, lá lá laiá, Madureira, lá lá laiá

Ah que lugar
A saudade me faz relembrar
Os amores que eu tive por lá
É difícil esquecer
Doce lugar
Que é eterno no meu coração
E aos poetas trás inspiração
Pra cantar e escrever

Ai meu lugar
Quem não viu Tia Eulália dançar
Vó Maria o terreiro benzer
E ainda tem jogo à luz do luar
Ai que lugar
Tem mil coisas pra gente dizer
O difícil é saber terminar
Madureira, lá lá laiá, Madureira, lá lá laiá, Madureira

Em cada esquina um pagode num bar
Em Madureira
Império e Portela também são de lá
Em Madureira
E no Mercadão você pode comprar
Por uma pechincha você vai levar
Um dengo, um sonho pra quem quer sonhar
Em Madureira
E quem se habilita até pode chegar
Tem jogo de lona, caipira e bilhar
Buraco, sueca pro tempo passar
Em Madureira
E uma fezinha até posso fazer
No grupo dezena centena e milhar
Pelos 7 lados eu vou te cercar
Em Madureira
E lalalaiala laia la la ia…
Em Madureira

PS: Se falar de Madureira remete à samba, falar de samba remete à Luiz Carlos da Vila, mais uma estrela que passou em nossas vidas irradiando poesia e sem receber o reflexo de volta… E, por você Da Vila, O Show Tem Que Continuar!