As Relíquias Mortais

Recorde total e absoluto: 608 páginas em menos de 48 horas. Doeu um pouco. Os olhos ardiam. As duas jornadas diárias desse meio tempo foram duras. Mas valeu a pena. E como valeu. Rowling conseguiu colocar um ponto final de ouro aos sete volumes que nos transportam ao universo pelos olhos de Harry Potter.

Rowling finalizou a saga do bruxinho (que, neste volume, não tem nada mais de bruxinho) como se propôs a fazê-lo desde o primeiro volume. Foi fiel ao fio condutor que estabeleceu para toda a estória sem “temer” a reação dos fiéis leitores. Tenho certeza que tais reações serão as mais diversas, entretanto ninguém vai poder dizer que ela não foi coerente.

O livro é mais sombrio. Pudera, com o grande número de mortes e torturas que recheiam os 36 capítulos. O amadurecimento do trio protagonista é notável. O destaque, claro, é Hermione e a solução que ela encontrou para deixar seus pais seguros no mundo trouxa. Até Rony nos presenteia com algumas tiradas realmente muito surpreendentes (mas logo volta ao normal).


As mortes pré-anunciadas são realmente emocionantes. Na verdade até aquelas tidas como secundárias também mexeram comigo. Mas tem muito mais: casamento, nascimento, brigas, reconciliações, seqüestros, fofocas, beijos, batalhas e, acima de tudo, várias surpresas. Tudo muito intenso, como eu esperava de Rowling.

Bom, com o recorde de leitura que me refere lá no começo, acabei me criando um enorme problema: Não tenho com quem comentar o livro! AHHHHHH! Resultado. Quem não quiser saber mais sobre “As Relíquias Mortais” aviso que se despeça do post por aqui, ou aceite as conseqüências e não me perturbe depois, combinado?

Listo aqui o que eu menos gostei e o que mais amei no livro (sem ordem de preferência, ok?). Quem realmente quiser ler, é só selecionar o texto com o mouse (ainda dá tempo de desistir, viu?).

Poderia ser diferente:

* O tão esperado beijo do Rony e da Hermione podia ter sido em outra hora e outro local não? No meio da batalha, rápido e corrido, com o Harry os observando impacientemente enquanto pensa no que ainda precisa ser feito. Sem condições. Fiquei com a impressão de que a Rowling terminou o livro e alguém perguntou “e o beijo, não vai sair?”. Aí ela bateu com a palma da mão na testa e encaixou-o onde daria menos trabalho reescrever.
* A morte de Remo e Tonks. Sei lá. Precisava matar os dois. Acho que um só bastava para ilustrar a intensidade da batalha. Assim pareceu o início de mais um ciclo com um órfão mestiço que perdeu os pais para salvar a comunidade bruxa daquele-que-não-deve-ser-nomeado.
* Senti falta também de um encontro de Harry com seu afilhado. Nem mesmo um pensamento de Harry sobre a Criança… Poxa, os pais do guri morrem e ele nem se lembra que ficou com um afilhado órfão?!
* O livro está enorme, eu sei. Mas não me importaria de ler mais algumas páginas se elas me dessem todos os detalhes sortidos das punições sofridas pelos Malfoys e por Bellatrix por sua eterna falta de sorte em manter Harry capturado e quietinho.
* O Neville ficou muito de lado nesse livro. Tudo bem que tudo girava em torno da missão de Harry, Rony e Hermione, mas senti falta do “quase-escolhido”. Gosto dele, uai!
* Fred Weasley sempre foi um gaiato, mas ele merecia uma morte menos “acidental”. Algo mais nobre ou heróico. Um duelo ou coisa parecida, mas uma parede? Fala sério!
* E vamos combinar? O epílogo me decepcionou bastante. Dezenove anos depois? Que sem graça!

O que eu amei muito-prá-caramba-demais-a-beça:

* De Rony para Draco: “And that’s the second time we’ve saved your life tonight, you two-faced bastard!” U-HUUUU!!!! Show de bola!
* Molly para Bellatrix: “NOT MY DAUGHTER, YOU BITCH!” U-HUUUU de novo!!!! Eu sabia que havia algo mais legal reservado para Molly do que ficar fazendo malabarismo com panelas!
* Potterwatch, o programa de rádio da resistência foi muuuuito legal. Pena que só teve um…

* Harry mais adulto do que adolescente é realmente apaixonante.
* A descrição da família Weasley em volta do corpo de Fred ao fim da batalha também está incrível. Jorge agachado… snif, snif…
* O Lorde das Trevas voando também foi muito f***! Super-mega-hiper demonstração de recuperação de poder!
* ‘Bellatrix’ dando “bom dia”!!!! HAHAHAHA! Só Hermione mesmo!
* Todas as pontas soltas espalhadas desde a Pedra Filosofal sobre Severo Snape foram muito bem amarradas. Pra mim Snape se mostrou o bruxo mais humano – ou melhor, “trouxa” – de todos, mais até do que o próprio Harry: confuso, ciumento, atormentado, arrependido e tudo mais.

* Augusta Longbottom. A ranzinza e exigente avó paterna do reprimido Neville foi simplesmente nota 10: além da coragem de já se expor partidária da Ordem abertamente no Profeta Diário, a doce vovó mandou Dawllish para o St. Mungos (esse também, só se ferra, coitado…) e apareceu para lutar em Hogwarts como se fosse um passeio dominical. Para mim ela podia até ter sido nomeada Ministra da Magia!
* Por último, as provocações de Voldemort para Rony na tentativa de evitar a destruição do medalhão. Muito sinistras…. Achei que ele ia amarelar e o raio da Horcrux só seria destruída no final do livro. Ufa… Deu arrepio…

Sobre Cacau

Carioca. 38 anos. Analista de Relações Internacionais. Flamenguista (herança do S.Beleza). Manqueirense (sambista sempre). Taurina. Soprano. Ruiva (quase sempre, por insistência). Chorona. Apaixonada pela sua família. DVDmaníaca. Fã de MPB, Rock, BRock, Samba e 70's songs. Viúva do Vinícius. Órfã da Maldita. Cantora sem talento. Lamenta não ser contemporânea do Elvis ou Elis. Quer aprender Tango. Viciada em Big Mac e Pinball no PC. Adora futebol E football. Troca facilmente um longo telefonema pela mesa do bar mais próximo. Vive bancando a ostra. Está sempre atrasada. Karateca cuja promissora carreira foi interrompida por uma fratura na mão direita. Lê mais que a média e menos do que deveria (ou gostaria) assim como viaja menos do que merece. É um fracasso em finanças pessoais. Quer ganhar qualquer grana na raspadinha, mas nunca as compra. Curte noitadas de Quizz e Karaokes. Tem insônia semanalmente. Adora dar presentes. Odeia sentir-se impotente. Devotada aos amigos e aos amores.
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5 Responses to As Relíquias Mortais

  1. Sérgio disse:

    Nossa…ainda há vida nesse blog 🙂
    É, infelizmente e por enquanto, nao poderemos conversar sobre o assunto em questão… 🙁
    Te amo !
    Bj

  2. Sérgio disse:

    Agora sim posso fazer algum comentário 🙂
    quer dizer…nao agora exatamente…3 e meia da manha e sem dormir ??? Santo sono Batman.. 🙂
    Bjs

  3. Anonymous disse:

    Poxa, eu me amarrei no epílogo!!! Vc me ganhou, eu precisei de 3 dias, mas acho que se eu não tivesse começado num domingo (ou seja, tendo que trabalhar na segunda), também leria em 2 dias… Muito tenso!!! Beijos
    Ferno

  4. Dani disse:

    Noooossa… isso é que é gostar de Harry Potter! rs
    Por incrível que pareça, nunca li os livros do bruxinho, embora conheça a história. Acho que foi medo de ficar viciada… rs

    Beijocas, Cláudia!

  5. Anonymous disse:

    Só vc Claudinha!!
    Nem sei o que dizer. Bem, ainda estou na Ordem da Fênix, assim quando sair a versão em português em novembro já deverei estar em dia. Sem esquecer do Enigma do Príncipe, claro!!
    Bjs, Carla Valle

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