Pergunta: você sabe quando percebe que está realmente envelhecendo? Fácil: quando sua irmã caçula faz 30 anos. Hoje, eu me sinto definitiva e realmente envelhecendo. Minha querida irmãzinha entra hoje para o doce hall das balzacas. Agora somos duas mulheres feitas. Durante minha infância e adolescência, tinha a nítida impressão de que falar de alguém que tinha 30 anos era falar de um adulto nesse sentido: homens e mulheres feitos. Agora vejo a Vivi cuidando com experiência de seu terceiro filho. Minha irmãzinha caçula, vocês sabem o que é isso? A firmeza para segurá-lo, dar banho, identificar seu choro, e sabe-se lá mais o quê. Ao mesmo tempo me lembro de quando andávamos de bicicleta seguindo um “mini-circuito” em forma de 8 ao redor das duas árvores que tínhamos quintal da casa onde nascemos na Vila Rosali. Da piscina nos fundos. Da beliche do nosso quarto. Da sua foto de maria-chiquinha na casinha de bonecas do Santa Maria. Do seu rostinho enfezado quando estava fantasiada de Emília para uma festa da escola. Das bolsas repletas de panelinhas e joguinhos de “chicrinhas e pirezinhos” que espalhávamos no chão da sala. Dos concursos de Miss com nossa bonecas (e das discussões para saber quem ia ficar com a Miss Venezuela, porque essa sempre ganhava). Dos natais na casa da Tia Dirce. Dos carnavais que saíamos com fantasias iguais da casa da Tia Dinéa. De como ela ficava linda de princesa da quadrilha. Da sua fase metaleira. De como ela brilhava dançando nos Camponeses. Das brigas (nossa, quantas brigas), mas incrivelmente de poucas eu me lembro o motivo.

E aqui estamos nós. De duas crianças, uma moreninha de olho verde e uma branquinha de olho azul, a duas mulheres, uma ruiva e uma loira. Com suas próprias experiências. Suas próprias estórias. Distanciadas pelo cotidiano e mais unidas que nunca. Tentando passar aos pequenos um pouquinho da alegria de nossa própria infância. Feliz aniversário, Vi! Seja feliz sempre e conte comigo todos os dias!