José de Alencar, taxista

José de Alencar, taxista (Cooperativa Centraltaxi, carro 085). Nasceu em Minas, cresceu no Rio Grande do Sul – de onde ainda guarda o sotaque -, passou por Pernambuco e voltou a Minas para criar gado. Por 20 anos. Desistiu de brigar com a falta de mão-de-obra e veio para o Rio. Procura terra para comprar em Goiás enquanto taxeia cariocamente. Cantarola compondo como repentista no final fechado. Ao chegar ao (meu) destino, agradece pelo prazer de lhe conceder a corrida e a companhia. José de Alencar, taxista, 93 anos. Nem o olhar diz.

– Mas como, seu José, o senhor está 93 anos não parecendo nem 60?

– Trabalho, minha filha. Muito trabalho e amor à vida. E namoradinhas de amigos meus, de vez em quando.

O dia que “virei” atleta paralímpica!

Quando entrei para este time eu disse aqui mesmo que me sentia como uma atleta alcaçando o índice olímpico. Hoje, faltando três anos para os Jogos Paralímpicos Rio 2016 o espírito é esse: somos todos um tanto atletas, treinando todos os dias para mostrar nossa melhor performance!

Mixed feelings

Achava que seria como um luto, em fases, dolorosas porém longas. Mas não. Parece mais uma montanha russa a coisa toda. Ceticismo, mágoa, autopiedade, derrota, inveja, solidão, desdém, arrependimentos, saudade, medo, impaciência, cansaço. A verdade é que nem montanha russa é. Tá mais pra trem fantasma. O horror! O horror. Não é pra tanto, a gente sabe. Mas tá tudo aí, junto e misturado. Difícil dizer o que predomina. Cansaço talvez. Ou egoísmo. Uma bosta de uma forma ou de outra. Who cares. É o que temos pra hoje.

Sinal fechado

Acorda com o gosto do sal do fim de semana. Levanta na obrigação. Engole o choro. Engasga com a lembrança da derrota. Deságua junto com o chuveiro. Descarrega o corretivo sob os olhos. Disfarça na roupa caprichada pros olhos do mundo. Mareja no táxi. Respira, suspira, bufa. Engole mais choro. Trabalha na merda. Acaba o dia. Lê o que não teve coragem. Desaba. Soluça. Respira. Encara Paulinho, mesmo sabendo que o samba pode aumentar o descompasso dos hojes. Lembra do espinho e da flor. Derrapa no sinal fechado. Se percebe na cena, a própria, mas num futuro embaçado. E o presente fica embaçado também. Mas nem. São só seus olhos.

Sinais

Você deve ser uma pessoa muito errada se a plena felicidade de alguém te faz infeliz. Pior, te deixa em um estágio miserável de tristeza. Você pede que te deixem ir e depois os odeia por terem deixado. Pior, você se odeia por odiar. Você quer gritar por socorro mas não quer que ninguém escute – mentira, você quer que uma pessoa apenas escute e faça alguma coisa, mas você sabe que é impossível – por que é embaraçoso. Você é do tipo de pessoa que escuta, nunca que fala e não há mal nenhum em falar ou mesmo gritar de vez em quando. Mas você não consegue. E quer que adivinhem. Não dá. Não dá. Acorda pra vida: não dá pra ser assim, gata.

Os sinais estavam espalhados por aí. A vida, essa irônica, que estava sempre decidindo por vocês. Você já não fazia parte da vida dele. Sem culpa daqui ou dali, mas o fato é os olhos não brilhavam mais, os códigos sumiam aos poucos, as músicas não tocavam mais e, por mais que você procurasse, não havia mais entrelinhas. Cada vez menos até não haver mais… Fim.

E é isso. Eu sei que hoje a sua vontade é chorar até sumir. Mais uma dor absurda. Mais uma pessoa que vive sem você. Mais uma morte mesmo. Mais um fundo do poço e mais um longo caminho sabe lá para onde, mas que precisa ser percorrido. Mas é só isso. A vida é cíclica. Você já passou por isso antes. Mas também sei que passa. Você sabe que passa. Justamente porque já passou em outras tantas vezes. E porque você já passou por isso outras tantas vezes. É isso.

Chore. E durma. Você precisa dormir.