Mês: novembro 2009

Nuvem à vista

Hora de dizer bom dia?

O não silencio de uma madrugada fragmentada
Pós noite cheia de opções desprezadas
Reconheci cigarras e a trilha sonora de um filme
Tudo ali, entre pensamentos multifacetados
E eu só queria estar em casa – chez moi
Aquele recanto de móveis baratos e paredes bege sem graça
No edifício feio do inebriante turbilhão suburbano
Onde havia o sim silêncio de várias madrugadas fragmentadas
Agora a luz já predomina
Chega com nuvens e cheiro de calor
Pontinhos verdes aparecem na tela
Sophia Loren em italiano na TV
Dor de cabeça e inquietude pós insônia
E a repentina e implacável percepção de tempo perdido
Momento pré-arrependimento que some como chega
Se esvai ao dar lugar à próxima aflição
E que ela não venha na forma de solidão
Porque estou completamente sem paciência para ela.

Uma noite sem dormir

Passei grande parte da noite em claro. Ouvindo rajadas de tiros que vararam a madrugada. Moro a menos de um quilômetro da Comunidade da Formiga. Os tiros pareciam estar acontecendo na minha porta. Foi uma sensação angustiante. Mesmo sabendo que era muito improvável que meu quarto fosse atingido por uma bala perdida, não vou negar que, por momentos, a noite foi assustadora.
É triste testemunhar de dentro de nossa casa a guerra que assola meu Rio de Janeiro. É triste ver os cariocas reféns de criminosos que são os únicos que tem pleno o direito de ir e vir. É triste saber que, com muita sorte, talvez apenas os meus netos venham a conhecer a Cidade Maravilhosa tal como ela merece.
Não sou especialista em políticas públicas. Não sei o que fazer de imediato para acabar com esse pesadelo. Uma coisa é certa: na ausência do Estado, alguém sempre se aproveita para “vender” serviços que ele, o Estado, deveria suprir. Podem ser candidatos políticos com suas ambulâncias e seus centros de assistência sociais, ou milicianos vendendo gás e segurança, ou mesmo traficantes oferecendo “trabalho” para as nossas crianças. E, depois de estabelecidos estes “domicílios”, removê-los é uma tarefa hercúlea e ingrata. Em horas como essas, chego a achar que é praticamente impossível.
O momento é de tamanha desesperança que eu nem sei direito qual é o objetivo deste post. Um desabafo talvez. Gostaria de saber o que cobrar de quem. Como cobrar uma solução? Com voto? Com carta? Email? Greve de fome? O que faço eu, cidadã, contribuinte, para ajudar a transformar essa situação? Sinceramente não sei…
Eu espero ter forças para resistir à tentação de me mudar da cidade ou de transformar minha casa num bunker. Quero continuar a sair de casa todos os dias e torcer para que nem eu nem alguém querido acabemos virando mais um número na tosca estatística da violência na cidade. Torço também para que mais pessoas de bem pensem como eu e não abandonem meu Rio de Janeiro, deixando-o de presente para os criminosos. Eles não merecem minha cidade.

Presente de Aniversário

O Aniversário era do Clube de Regatas do Flamengo, mas quem ganhou o presente da Olympikus, foi a Nação. Ontem, aniversário de 114 do Flamengo, foi lançado o Totó do Mengão. É um game que pode ser jogado online ou ser baixado por qualquer rubro-negro que curta o bom e velho futebol de mesa. Na festa de lançamento, esta humilde rubro-negra e mais outros 29 blogueiros torcedores, fomos convidados a fazer 1000 gols para que o jogo fosse liberado para a Nação. Isso aconteceu em mais ou menos 2 horas da mais divertida jogatina. O jogo é muito fácil de aprender: é só usar as setas para direcionar e chutar e a barra de espaços para “roletar”. A interface é fantástica: podemos escolher entre os 17 jogadores do atual elenco, entre os 3 uniformes oficiais e entre as opções táticas disponíveis. Também é possível ver os replays dos gols com os avatares do jogadores em dribles e jogadas fantásticas, incluindo um gol olímpico do Pet. O capricho com que o game foi feito é comprovado nesses e outros detalhes, como a narração de Silvio Luiz (“Olho no lance!”) e a presença de Uruba & Urubinha e das organizadas mais famosas do Mengão – Raça, Jovem, Urubuzada e Fla-Manguaça – com suas faixas, seus cantos e suas festas com bolas vermelhas e pretas no Maraca – lugar onde se passa o game. A festa oferecida pela Olympikus contou também com a presença de jogadores da equipe FlaMaster, Aílton, Gilmar Popoca, Carlos Henrique e Manguito, que conversaram com os blogueiros e se divertiram tentando ganhar uma partida. A propósito, eu ganhei uma (4 x 3).

Saudações Rubro-Negras!

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén