PersonalDNA

Segundo o site PersonalDNA (dica da Nicole) me descobri como uma líder benevolente. Ainda não digeri se isso é bom ou ruim, mas… Para conhecer os detalhes sobre o meu mapa (sim, essa de tirinha de cores aí em cima é o mapa!) é só passar o mouse sobre cada uma das cores. Eu adoraria saber o resultado de quem mais fizer estes testes! =)

Panis et Circensis

Este é o nome da obra tropicalista que, durante o período da ditadura militar brasileira, fez analogia à política de César que tinha o objetivo de satisfazer o povo dando-lhe comida e diversão (pão e circo) para limitar assim o poder de crítica e contestação do povo frente às questões políticas, sociais e econômicas que eram convenientes ao então Imperador.

Por que eu me lembrei disso? Porque cheguei à conclusão de estamos realmente ferrados. Considerando que a tática secular do “pão e circo” tenha funcionado, explica-se assim a apatia de nossa sociedade. Só que do tal “pão e circo” também não temos visto lá grande coisa. Do “pão”, acho que não preciso nem falar. É “chover no molhado”, “ensinar missa ao vigário” e tantas outras expressões populares. É carga tributária, inflação dissimulada, desvio de verbas, corrupção generalizada, é tanta coisa que só sobram as migalhas do pão dormido. Mas estamos acostumados a isso, não é mesmo? Damos um jetinho aqui, aperta dali e seguimos em frente.

Mas aí eu me pergunto, e o “circo”? Cadê a parcela de diversão? Seria o Esporte? Lamento informar, mas tá difícil. Alguém me explica o que é a federação carioca de futebol (em letras minúsculas mesmo porque tal instituição definitivamente não existe, logo não demanda nomenclatura diferenciada)? Até quando o futebol carioca vai ser essa vergonha? Não sobra um time ileso a mal resultados e escândalos. Cartolas intragáveis e asqueirosos. Infelizmente esse privilégio não é só do Rio de Janeiro. Cutuca-se um pouquinho e vamos encontrar fácil um rabo preso sendo revelado em qualquer canto do país. A bola da vez na sinuca dos escândalos é o Corínthians. O ventilador cheio de caquinha (para não falar outra coisa) está soprando para cima de todo mundo que algum dia pisou no Parque São Jorge. Mas pera lá! E no mundo? Ora, o futebol italiano teve seu inferno astral em 2006, salvo apenas pelo sucesso da azurra da copa do mundo. Sem falar na tristeza de ver jogadores do mundo todo morrendo na TV, caindo em campo, e ter que engolir que os clubes não sabiam que eles tinham alguma disfunção. Ou seja, falar de futebol ultimamente tem sido repetir escândalos e resultados xinfrins. Tristeza…

E não acaba por aí. A coisa podre está se alastrando também por esportes milionários de verdade, aqueles ditos de “alta desempenho e perfomance”. Caiu na “boca de matilde” o caso de espionagem da McLaren e a subseqüente decisão da FIA sobre o assunto. Eu mesma, que me graduei especialista no tema, posso afirmar categoricamente que ainda ficou caroço embaixo desse angu. E o New England’s Patriots? Não está sabendo? Pois é, até no futebol americano (que tem a NFL cuja fama é de ser a liga mais rigorosa do planeta) rolou barraco. E não estou me referindo ao jogador que promovia brigas de cachorros (esse é o Michael Vick do Atlanta Falcons) mas do time de Tom Brady (o namorado bonitão da Gisele B.) que também envolveu-se com espionagem (o time, não o Tom), por filmar os códigos da defesa de um de seus adversários, no caso, o New York Jets. O Técnico teria usado esse know-how duvidosamente adquirido, no prórpio confronto direto contra os Jets e, comprovado isso, a coisa ficou feia. Barato não saiu. Mas a grande questão é que o Patriots, assim como a McLaren, são consideradas as equipes f*donas da temporada e não teriam porque fazerem isso. Mas do que nós entendemos, não é mesmo?

Futebol, Football ou Fórmula 1, a questão é que ficou tudo milionário demais pra ser circo somente. Dizem que “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” mas está dificilíssimo conseguir qualquer uma delas. Do pão, mal temos migalhas e do circo, só vejo os palhaços. E eles, mais do que nunca, me dão medo.

Na cadência bonita do samba

O samba tem um poder inexplicável. Renova forças, traz energia, traz esperança. Não consigo traduzir em palavras a alegra de ouvir um dedilhado no violão acompanhado por uma batucada por mais simples que seja. Me provoca um torpor totalmente ímpar. Não há nada parecido. É como se os problemas acabassem. Se a insegurança não existisse. Se a saudade não tivesse razão de ser. Alienação? Claro que não! E não sou eu quem afirma. Veja só: “Com os sambistas eu aprendi muita coisa. O samba é uma lição de vida. A alegria do brasileiro, que muita gente chama de alienação, não é alienação. É vontade de dar a volta por cima. É resistência. Isso é samba.” Disse Beth Carvalho em entrevista para a MTV. Não precisa procurar muito. Vinícius musicado por Baden também declara que “há sempre um novo amor em cada novo amanhecer”. É tem ainda o clássico “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima” que ouvimos há muitos anos e duvido que não seja o deseja profundo de alguém num momento de dificuldade.

Os primeiros registros sobre o samba no Brasil vêm do século 19 e obviamente estão relacionados aos ritmos introduzidos por escravos praticamente em todo o território. Para chegar ao que o conhecemos hoje, o samba deixou-se influenciar por temperos baianos e malícias cariocas. Uma das características deste novo mestiço tupiniquim é que ele nunca perde a contemporaneidade. Pelo que se tem notícia, o primeiro samba gravado é o célebre Pelo Telefone de Donga que data de alguma data entre 1903 e 1917 (cada site diz uma coisa).

O chefe da polícia
Pelo telefone manda lhe avisar

Que na Carioca
Tem uma roleta para se brincar

Gilberto Gil fez um upgrade e gravou Pela Internet:

Que o chefe da polícia
Carioca, avisa Pelo celular
Que lá na Praça Onze
Tem um videopôquer para se jogar

Quer outro exemplo? Que me perdoem as feministas de plantão, mas toda vez que toca Amélia, o povo se esgoela pra cantar. Homens e mulheres. Vai entender? Acho que a mulherada está um tanto cansada da jornada dupla casa/trabalho e não acha mais tão má idéia assim, ser uma boa dona de casa. Tudo bem que “não tinha a menor vaidade” e “achava bonito não ter o que comer” não são nada inspiradores, mas que o povo canta, canta. E samba muuuuito. Quer mais? Até a Liga das Escolas de Samba passou a autorizar a reedição de sambas-enredos. Por quê? Ora, porque eles não se desatualizam nunca. Fazer o quê, né?…

Não imagino um mundo sem samba. Quando eu era pequena eu acreditava piamente que samba era “coisa de velho”. Hoje, eu já prefiro dizer que, se é assim, então eu sempre fui velha. Tudo bem. Bom, o fato é que este post não tem a menor intenção de ser uma ode ao samba. Ele não precisa disso. Mas para mim é fonte de inspiração certeira. Sempre. Revigora. Encoraja. Anima.

O samba é companheiro e é conselheiro. É mãe e pai. É democrático. É sofista e socrático. É poético e melodioso. Mas acima de tudo é harmonioso. O samba é ritmo. É coração. E assim, sem ele não há pulsação, não há vida. Se houver, é insossa e, definitivamente, arrítmica.