Meu querido diário

Este foi um fim de semana repleto de sentimentos contraditórios. No trabalho rolou um baixo astral fenomenal. O presidente da empresa morreu na sexta-feira, vitimado pelo naufrágio do barco pesqueiro de um amigo. Receber uma notícia uma notícia assim no meio da tarde foi um tanto sufocante. Eu tinha acabado de fazer uma pequena apresentação sobre os impactos que os muitos investimentos da empresa em sua expansão no Brasil trariam para o nosso departamento. Estava tranqüila, feliz até. No intervalo, menos de vinte minutos depois, fui à minha mesa pegar um comprimido e notei o comportamento estranho dos corredores. Como estávamos trancados na sala de reuniões, não perceberíamos nada. Voltei tremendo e falei com meu diretor que havia acabado de saber da notícia. Claro que o clima mudou completamente. É uma sensação estranha. Muito estranha. Sentir pela morte de alguém tão distante e ao mesmo tempo tão perto. Ainda não sei o impacto que este acontecimento terá em nossas vidas. lamento pelo empresário que conheci e pelo homem do qual ouvi falar. E a vida segue.

Na noite de sexta, ela seguiu literalmente para o cinema. Não queria vir pra casa sozinha e, como não havia fila para ver X-Men – O Confronto Final e eu estava ansiosa por isso, em segundos cheguei à conclusão de que era uma ótima opção. A palavra de ordem do filme é exagero. E preciso deixar claro que não vejo isso como uma coisa ruim. “Exagero” ficou em minha cabeça por tudo é muito intenso. Os poderes estão mais fortes, as relações estão mais acirradas, os mutantes são mais numerosos, os efeitos especiais são mais “mais”, entendem? É isso: tudo é “mais”. Fantástico. Jackman é o cara e cada vez gosto mais dele. Sir Ian McKellen, para variar, magistral (lembrando que essa foi a segunda dose do Cavalheiro na telona em uma semana). Só tenho minhas dúvidas se os roteiristas não distorceram um pouco demais a estória. Não sou mestre dos quadrinhos, mas não parece que a condução dos destinos tenha sido fiel aos originais da Marvel. De qualquer forma o nome dela estava lá nos créditos iniciais e finais, o que me leva a crer que, se houve algum desvio, ele foi aceito pela empresa. Conclusão: gostei, mas isso não é novidade… (deslumbrada, lembram?)

Ontem foi dia de rever Harry Potter e o Cálice de Fogo em DVD. Filme e extras, claro, tudo de uma vez. Como já falei do filme aqui antes, deixo agora apenas minhas impressões sobre os extras.
Ponto baixo: cenas excluídas. Esperava muito mais delas uma vez que muita coisa ficou fora do filme. Só posso concluir que muita coisa ficou fora do roteiro desde o início.
Ponto alto: making-of da cena do retorno de Lord Voldermort. Ralph Fiennes, mesmo sem a ajuda da maquiagem e dos efeitos especiais, estava realmente assustador!

Hoje de manhã foi dia de Encontro dos Ex-alunos do Colégio Santa Maria onde estudei do Jardim à oitava série. Acordei mais tarde do que deveria e, quando cheguei, a missa já havia acabado. Mas é sempre uma benção poder voltar àquele lugar. Este é o terceiro encontro que ao qual compareço e foi especial porque revisitei cada cantinho com homens e mulheres que estavam comigo por lá há mais de… Melhor isso pra lá! O mais legal foi ver a constante evolução daquela instituição. É impressionante. Saudade, confraternização e muita admiração para encerrar o fim de semana.

Observações:
– O post anterior está completamente no-sense… Mas não vou mexer nele não. Acho que ele reflete exatamente o que foi aquela noite. Fazer o quê?
– Pra quem gosta de Ciência Política, vale uma visita ao sempre excelente Os Conspiradores. CP no cotidiano. Excelente, excelente!

Ahn?

Era pra ter encontrado amigos, mas não tava no clima. Beleza, ninguém tem nada a ver com isso.
Vim pra casa. Tudo bem.
Rory já fez companhia pro do Logan e se desculpou enquanto a mãe dela paparicava a enteeda que não sabe que ela existe.

Era pra ter encontrado amigos, mas não tava no clima. Beleza, ninguém tem nada a ver com isso.
Vim pra casa. Tudo bem.
Rory já fez companhia pro do Logan e se desculpou enquanto a mãe dela paparicava a enteeda que não sabe que ela existe.
Tudo bem.

Passou um tempo e me lembrei que o Pratt foi pro Sudão para aprender a se relacionar, mas ele se dá conta de que não dá pra salvar todo mundo. Me pergunto: como ele pode se aprender a se relacionar se ele não tem como salvar a todos porque não um médico no Sudão – segundo a estória contada pelo seriado – tem que optar pelos pacientes que têm alguma chance.
Quando o médico sudanês volta pro campo de refugiados são e salvo e o episódio termina eu mudo de canal e me deparo com a cena super-hiper-megar tennage da Padmé com Anakin nos campos floridos em meio ao exílio da Senadora. Eca! Caí na pior cena de todos os seis episódios.
Zuzo bem. Devo tá vendo muita TV. Ou estou bêbada.
Minha mãe sempre disse preu estudar…

tu tu tu tu (não faço idéia desse período de tempo – acho que li emails)
Tudo bem.
Pratt tá no Sudão para aprender a se relacionar, mas se dá conta de que não dá pra salvar todo mundo. Me pergunto: como ele pode se aprender a se relacionar se ele não tem como salvar a todos porque não um médico no Sudão – segundo a estória contada pelo seriado – tem que optar pelos pacientes que têm alguma chance.
Quando o médico sudanês volta pro campo de refugiados são e salvo e o episódio termina eu mudo de canal e me deparo com a cena super-hiper-megar tennage da Padmé com Anakin nos campos floridos em meio ao exílio da Senadora. Eca! Caí na pior cena de todos os seis episódios.
Zuzo bem. Devo tá vendo muita TV. Ou estou bêbada.
Minha mãe sempre disse preu estudar…

Orkut
Não me importo que bisbilhotem meu perfil. Também não me importo que saibam que olhei perfis alheios. O “bisbilhotar” é muito relativo. Se para colocar um recado, para procurar alguém ou apenas conferir se alguém é quem você pensa, é preciso “futucar” alguns perfis, então, deve-se concluir que meu nome irá aparecer bastante por aí… O que me impressiona é a quantidade de perfis criados especificamente para “bisbilhotice”. O fulano ou fulana se dá ao trabalho de criar um perfil apenas para não ser identificado. E ainda coloca mensagens do tipo “se quer privacidade, saia do Orkut”. Uau! Imaginem a personalidade dessa pessoa fascinante! Pena que estamos impossibilitados de conhecer tão impressionantes criaturas, cheias de lições a passar, principalmente sobre respeito aos outros, ética, transparência e honestidade.
Ainda sobre o Orkut, os spams diminuíram, é verdade, mas os peixinhos, calhambeques, flores, corações e não sei mais o quê coloridinho, ainda perduram. E agora é a vez dos virus que vitimam aqueles que queriam apenas colorir as páginas dos amigos. Eu deleto as mensagenzinhas coloridas mas, sim, acredito na ingenuidade humana e assim, acredito que seja a ingenuidade que leva meus amigos a colocarem suas senhas em sites que oferecem mensagens bonitinhas em massa dando-as de bandeja para hackers experimentais. Lamento porque muita gente boa acaba chutando o balde e saindo do site. E é pena que o download de contatos não funciona há algum tempo. Vou acabar perdendo novamente o contato com alguns…

Feminismo?
As francesas querem o fim da palavra “Mademoiselle”. Dizem que é um rótulo inútil e ultrapassado que nada mais faz do que expor a cidadã francesa. Argumentam que ninguém precisa saber se a Madame é senhora ou senhorita para respeitá-la. Alegam que Senhoritas balzaquianas são contrangida por interlocutores que perojatizam (se é que existe esse verbo) o pronome de tratamento, como se pensassem “Senhorita? Sei! Encalhada, isso sim!” por trás de um risinho cínico e quase imperceptível. Bom, não discordo que, em pleno século XXI, distinguir senhora de senhorita não tem a menor utilidade. Também concordo que ser solteira ou casada não diz nada sobre a condição familiar de uma mulher que pode ser solteira, mas ao mesmo tempo ser uma mãe experiente. Mas me impressiona que o tema precise de uma mobilização nacional tal como está acontecendo na terra de Joana D’Arc. Uma deputada não conseguiria resolver o problema no legislativo, simplesmente, ou será que perdi algum capítulo desta história? Se a moda pega, as brasileiras daqui a pouco vão querer o mesmo, fazendo abaixo-assinado, enchendo nossas caixas de email e indo às ruas com faixas e palavras de ordem, esquecendo-se de que existem outras coisas mais urgentes para pleitear… Ou não, de repente me surpreendo (de novo eu e a minha fé nas pessoas)!

Da Vinci
Vi o filme e gostei. Para quem não leu o livro, o filme deve ser infinitamente melhor. No filme, alguns personagens ficam meio soltos no contexto e Sophie não demonstra nem um terço da inteligência do livro, deixando Langdon resolver tudo sozinho. Não compromete a narrativa, mas a empobrece um pouco. Os recursos visuais fazem com que a polêmica sobre a divindade de Cristo fique mais fortalecida. Choca mais. Com certeza vai ter muito mais gente rezando pela bíblia de Brown depois do filme. Ou não.

Em Letra e Música

O meu recém passado inferno astral impediu-me de registrar o oba-oba em torno do novo trabalho de Chico Buarque. Copiando (e toscamente traduzindo) a Nica, homenageio o ídolo…

Descreva-se usando uma banda/um(a) artista e títulos de suas músicas. Escolha uma banda/um(a) artista e responda somente com tílulos de músicas do seu escolhido.

Meu artista é Chico Buarque

Você é homem ou mulher: Morena dos Olhos d’Água
Descreva-se: Gente Humilde
Como as pessoas sentem-se sobre você: Estamos Aí
Como você se sente sobre você: Essa Moça Tá Diferente
Descreva seu(sua) ex-namorado(a): Desencanto
Descreva seu(sua) (futuro) namorado(a): O Meu Amor
Descreva onde você queria estar: Doze Anos
Descreva o que você queria ser: Dura na Queda
Descreva como você vive: Alô, Liberdade
Descreva como você ama: Eu te amo
Compartilhe algumas palavras de sabedoria: Vence na Vida Quem Diz Sim

Ok, rolou uma forçaçãozinha de barra, mas eu gostei! Ô!

Vim, Vinci e Venci

A aproximação do Festival de Cannes e a estréia mundial de O Código Da Vinci estão mexendo com os ânimos mundo afora. Manifestantes religiosos – principalmente os católicos – mostram-se mais indignados do que nunca com o filme e protestos pipocam por toda parte. Acho tudo isso muito curioso. É claro que os católicos devem sentir-se mais ofendidos e atingidos pelas teorias lançadas por Dan Brown, mas estas teorias interfeririam também na brio de outros fiéis não católicos e, pelo menos eu não tenho visto nenhum deles manifestar-se sobre o assunto (se alguém tiver visto algo, me fale, agradeceria muito!). Digo isso porque alguns protestantes autodenominam-se cristãos, apoderaram-se do termo e isso me incomoda muito, mas não vem ao caso aqui. Logo, eu pergunto, porque estes não se ofenderam nem com o livro nem com a iniciativa de produzí-lo no cinema, onde ele certamente vai atingir um público maior do que pela via literária? Juro que não entendi. Quer dizer que um autor pode falar o que quiser de Jesus Cristo ou dos Evangelhos contanto que fale mais mal da Igreja Católica, é isso? Não quero arrumar briga com ninguém, apenas entender, ok?

Eu devorei os dois romances religiosos de Brown (li em seqüência o Código Da Vinci, Anjos e Demônios e Fortaleza Digital, longe de gostar deste último). Até escrevi a respeito aqui. Particularmente eu acho que ele foi muito mais feliz abordando o tema dos mistérios da simbologia renascentista e o catolicismo do que com a criptografia. Para mim isso nada mais é do que um sinal de que as defesas de suas teorias, alardeadas pelo próprio em entrevistas sobre os seus livros, não passam de puro marketing. E nisso ele foi infinitamente mais bem sucedido do que na condução dos enredos dos livros em si. Eu prefiro continuar tratando fé separadamente de religiosidade. Em minha biblioteca, as obras em questão continuam classificadas como romances e ainda acho divertido seguir os passos de Langdon em suas aventuras pelo espaço e pelo tempo. Simples assim.

O que é interessante nisso tudo é que muita gente passou a acreditar na verdade dos romances. Outros tantos chegaram a perder um tantinho de fé ou fidelidade para com a Igreja Católica. Debates ferrenhos promovidos por especialistas instantâneos em doutrina religiosa se multiplicaram como refrão de música baiana em época de carnaval. Em compensação a Igreja mostrou que não está morta e colocou na rua muita gente que não saiu de casa para protestar contra a fome ou reivindicar igualdade social, igualdade entre os povos ou seus direitos civis. Desde abril, além das manifestações propriamente ditas, temos visto de tudo: a Igreja chamando o mundo de ignorante (“a ignorância aumenta a popularidade d’O Código’”), deputados que resolveram ir trabalhar para impedir a veiculação do filme (acreditem se quiser, o orçamento da União só foi aprovado mês passado, mas a exibição de um filme é uma pauta urgentíssima que vai mexer profundamente com o futuro da sociedade brasileira), contra-ataques com revelações bombásticas sobre os segredos da Opus Dei, notas sobre lançamentos de inúmeros livros afins e sabe-se lá mais o quê.

Acho que o grande mérito dessa celeuma toda seria se ela ajudasse na recuperação do nosso senso crítico, reavivasse nossa capacidade de ler algo e refletir sobre o que está sendo dito, de questionar, mesmo as verdades absolutas herdadas de outras gerações, de outros séculos. Que exercitássemos a busca por alternativas e deixássemos de ser vaquinhas de presépio de políticos, empresários e até do traficante da esquina. Não tem jeito: sempre acabo na utopia… argh!

Para encerrar, destaque para um dos lançamentos-carona: O Código Aleijadinho (Muller, Leandro. Editora Espaço e Tempo) será lançado ainda em maio e o melhor, o livro tem um trailer!!! Taí:

Agora é oficial!

Outono que nada: já troquei a colcha pelo edredon! brrrrrrrrr

São Paulo

É lamentável ver o que o excesso de vaidades faz com a nossa vida. O pânico se alastra pelas ruas e só vemos pronunciamentos vazios e irresponsáveis. Quando vai acabar, não sei. Espero que rápido, muito rápido. Boatos!?!? Medo infundado?!?! A família brasileira não merece isso, ter que que correr no meio do dia para buscar os filhos na escola que vai fechar, sair correndo à procura de ônibus para voltar para casa torcendo para aquele ônibus não estar na lista dos bandidos agitadores, mudar de caminho porque a agência bancária foi incendiada, ter que pensar em quem ainda falta dar notícias para ter certeza de que seus queridos estão todos bem. Bem? Quem é que está “bem” com isso tudo? O pior é saber, mesmo que doa reconhecer, que tem muita gente que consegue dormir…