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Das Partidas

Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.

(Amyr Klink)
Tem um ano que parti
Sem dores
Sem rancores
Alguns temores
E parti.

Saiu o mar, entrou o rio
Saiu o quartinho e veio o quintal
Tudo novo, outro povo
E sem batuque, sem carnaval

Há um ano eu cheguei
E 7 vezes me apaixonei
E tinha esse jeito
Um colo e um peito
E nele deitei.

Solte suas amarras. Afaste-se do porto seguro. Agarre o vento em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra.

(Mark Twain)

É sua vez de partir, meu amigo. Vai.

Vai, não apenas por ser necessário, mas por ser caminho. Muda a paisagem mas não muda a essência. O que é importante você leva no coração. Os seus, o samba, o mengo e o dengo estarão sempre contigo. E seu coração é grande o suficiente para novos dengos que eu sei. Vai que vai ser lindo. Vai que você está tinindo e é assim que o olhar brilha.

‘Não tô dando nem vendendo como o ditado diz’. Você não precisa do meu conselho, eu sei, ‘o meu conselho é pra lhe ver feliz’. Cantou o cantor. Quero lhe ver feliz e, com sorte, ‘que você me queira’. Cantou a cantora. Eu fico com o querer de novo o seu abraço, seu beijo suave e suas mãos nas minhas costas naqueles momentos quando você está à vontade. E suas mãos nos meus cabelos, naqueles raros momentos em que você está mesmo à vontade. Quando o tempo for generoso, o espaço entre nós sumirá.

Vai, e abraça tudo. Sente. Come. Bebe. Permite e permita-se. Vai. Você vai tirar de letra. Depois me conta.

De leve, um até breve.

Conto com isso.

Conta comigo.

Gente que Importa

No princípio era o “e se”. E se fosse no Rio? Onde seria, como seria, quem viria? Sim, eu me fazia essas perguntas a cada edição dos Jogos Olímpicos que começava imponente na TV. Por mais que eu tivesse vários eventos prontos na cabeça para responder essas perguntas, se alguém dissesse à Cláudia de 8 anos (chorando com o Misha), para a Cláudia de 12 (emocionada com o Joaquim Cruz) ou mesmo para a Cláudia de 16 (que gritou e vibrou e chorou com a geração de Ouro do Vôlei) que um dia ela efetivamente organizaria uma edição dos jogos, eu duvido muito que ela acreditaria. Confesso que eu mal acreditei quando fui chamada para a entrevista de emprego. E toda a emoção que senti ao fim daquele processo é exatamente proporcional à grandeza da responsabilidade que me esperava: apenas imensa.

E aqui estou. Há 1369 dias numa rotina sem rotina. O grande desafio era fazer o que eu já sabia — importar — dentro do cenário dos jogos, com todos os clientes e stakeholders envolvidos no processo. Tive a sorte de chegar no momento certo, a gerência recém criada (oi Chefe, obrigada por tudo!!!) e ter tempo para entender a legislação específica, alinhar e desenhar os fluxos, ajudar na busca das parcerias e já começar a tratar o que já tinha que acontecer, lá naquele momento zero. Desde que a Logística destes jogos existe como departamento, já passou de tudo um pouco na minha mão: os primeiros pins colecionáveis, alguns vários brindes, os Macs e iMacs (para o pessoal de design fazer o trabalho incrível que vocês conhecem), os servidores que guardariam os diversos portais por vir (a começar pelo de Voluntários) e outros tantos itens de Tecnologia (incluindo sofisticados equipamentos de videoconferência que poupariam muito dinheiro em passagem aérea). Também vieram os Mascotes (que na época nem nome tinham ainda) e os amigos (aqueles antigos que vieram para o lançamento dos novos, lembram?) e foi incrível demais fazer parte disso e ver o quanto eles são queridos!

A coisa começou a ficar séria quando começaram os Eventos-Testes. O que desenhamos funcionaria? Os órgãos do governo cumpririam o alinhamento? Os fornecedores conseguiriam seguir nossas instruções? E a roda começou a girar. Nossa equipe já estava mais robusta — agora já existia a Logística Internacional — e meu foco já estava se concentrando nos equipamentos esportivos. Vieram os primeiros uniformes, os obstáculos para o Hipismo, barcos de apoio para arbitragem e jornalistas, barcos de competição, o trabalhoso deck e as compridas raias da Lagoa; vieram itens diversos de arbitragem (desde apitos até moedas de sorteio, equipamentos de vídeo e até binóculos!), todos os itens para as quadras de Tênis de Mesa e Badminton (tudo, de porta-toalhas a mesas!) e os velhos conhecidos equipamentos para o Vôlei (tanto o de quadra quanto o de praia); trouxemos itens curiosos como as ambulâncias equinas, um cavalo mecânico, os adesivos numéricos para identificação dos atletas da Maratona Aquática, o sistema de som subaquático para o Nado Sincronizado, os bonecos (dummies, com e sem pernas!) para treinamento de lutas, equipamentos antidoping de raquetes (?!), os portões de partida, cercas infláveis e marcadores de chão para as provas de Ciclismo (BMX e Mountain Bike); toda a madeira que se transformaria quase que artesanalmente na incrível pista de Ciclismo de Velocidade (sim, o Velódromo — aquele!!!); tinta para pisos e toda gama de pisos em si, para as diversas arenas fechadas, as do Riocentro, os tatames, os antiderrapantes dos esportes aquáticos e até mesmo o gramado sintético do Hóquei (aquele do azul lindo e hipnotizante); os alvos e demais equipamentos do Tiro com Arco, ringues e toda a gama de equipamentos e uniformes de treinamento e competição do Boxe (minha primeira importação do Paquistão), anilhas para o Levantamento de Peso, as tabelas do Basquete — queridinho da galera — e inúmeras camas elásticas (não, elas não usadas apenas na Ginástica de Trampolim); tocamos o embarque de cargas compridas demais (que só cabiam em voos cargueiros) como os trampolins do Salto Ornamental e todas as traves — do Futebol, Handebol, Goalball e as enormidades do Rugby; todos os colchões e pódios e todos, todos, todos os equipamentos das Ginásticas (sim, todos!); os equipamentos para o Tiro Esportivo, incluindo aqueles pratos-alvos que viram poeira colorida — exceto as armas e munições (ahhhhh!); boa parte dos equipamentos das modalidades diversas do Atletismo e mais de quinhentos itens que fazem parte das especificações do campo de Golfe (achou que era só grama, buraco e bandeirinha, né?); os equipamentos médicos de diagnóstico de primeiríssima geração para a Policlínica da Vila de Atletas; os equipamentos super high-tech da Esgrima; e bolas, bolas e mais bolas — pra lá de cinquenta mil (yeah!) — para todos os esportes que usam bolas (ora bolas), menos o Futebol (ah, esse é comum demais, né?). Tive também a chance de acompanhar a importação dos uniformes de toda a força de trabalho (50 contêineres), das nossas lindas tochas Olímpicas e Paralímpicas, e dos nossos valiosíssimos ingressos. Como se não fosse o bastante, agora, em tempos de jogos, ainda tenho o privilégio de ajudar — ainda que timidamente — na operação de Cavalos. É por isso que sou forçada a repetir: eu amo o meu trabalho!

Hoje é difícil imaginar uma instalação de treinamento ou competição sequer que não tenha um pouquinho ou um montão do meu suor (ou das minhas lágrimas, se você me conhece bem). E se você encarou o textão e chegou até aqui, certamente vai se lembrar de mim a cada competição que comparecer ou mesmo assistir. E vai sorrir por mim, que eu sei. E sorrindo por mim, vai sorrir também por uma equipe fantástica que fez um trabalho maravilhoso e da qual me orgulho muito de fazer parte: gente que importa!

Tem problema demais na nossa cidade? Sim. No nosso país? Demais! Não sou louca de negar nem tão pouco de pedir que os esqueçam. Nada disso. Peço apenas que vejam o que estamos entregando apesar de todos esses problemas! Os Jogos estão apenas começando para o mundo e nosso trabalho está muito longe de terminar, mas eu estou muito, muito feliz de ter chegado até aqui com essas metas atingidas, ajudando a mostrar que é possível sim — a despeito do momento delicadíssimo que vivemos — entregar aquilo que nos comprometemos e que existe sim uma grande chance de que os atletas — nossos clientes mais especiais — atinjam aqui no Rio a sua melhor performance e, assim, sigam nos inspirando a ir mais longe, mais alto e a sermos mais fortes.

#Aos40

Quarenta. Pesado. A força de um número que assusta, afugenta, pira. Tanto que tá aí, atraso de um ano para escrever sobre o assunto. O título, meus caros, mais justo e mais honesto, deveria ser #Aos41. Porque agora passou o susto. Agora sai. Agora, oras, é tudo muito mais simples. Mentira! Um pouquinho só mais simples. Mas muito menos torturante, talvez até elucidante e, com sorte, um tanto enebriante. O fato é que a resignação chega benevolente e o número em si perde bastante da força. Na verdade ganha em charme.

dezvintetrinta40
No sentido horário:
aos 40, aos 10, aos 19 e aos 30.

A despeito da pressão do tempo e da força da gravidade (implacável aos sedentários como eu), uma série de novas percepções chegam (sim!) para dar charme a quase todos os aspectos desta quarta década. Ameniza-se principalmente (e providencialmente, convenhamos) a obrigação de provar algo a alguém. A sentença usualmente proferida pelo júri da roda viva do mundo que tudo vê e nunca descansa perde o sentindo e o poder sobre você. Se provou o que se queria nos trinta, ótimo; se não, dane-se. A prioridade agora é ter outras prioridades. É viver o que não se viveu porque até então era vital provar seu valor. O foda-se sincero e libertador que, acreditem, dificilmente chega ainda nos trinta. Também é hora do desapego da pressa e, assim, some de vez qualquer resquício da necessidade daquela coisa toda, do tudo ao mesmo tempo agora. É tudo agora, mas é do meu jeito. Sem o torpor, o fulgor, a energia e a obrigação cliché da eterna mulher moderna. Intensidade e suavidade coexistem numa harmonia disléxica porém conveniente para determinar um ritmo novo e particular, um novo olhar. Novos brilhos no olhar.

Até as cicatrizes doem diferentes. O “só me arrependo do que não fiz” perde sentido até para ser tema de camiseta. É o tempo da serenidade que permite que se reflita, sem dor ou autopiedade, sobre as escolhas ruins e perceber que sim, havia um jeito de fazer diferente que facilitaria muito as coisas. Poder dizer que errou e que não vai errar de novo nesse tipo de escolha porque essa dor não queremos mais. Enfim a confiança! A segurança que chega e dá sentido àquele verso oitentista que fala do “certo ar cruel de quem sabe o que quer”. E o que não quer.

Deve ser isso que alguns chamam de maturidade. Oxalá que seja. Ainda não resolvi a distância entre mim e os quarentões da minha infância. Tenho uma velha sensação de que aqueles lá estavam sempre ocupados demais sendo adultos enquanto eu aqui só quero sossego, simplicidade, bom humor e boa companhia. Porque nesta altura também se conclui depois de duras penas que solidão a dois (ou a três ou a xis) é das bostas do mundo umas das mais fedorentas. Você é livre para escolher sua companhias, seus amores e seus amigos. E sabe agora que não vale amar por mais ninguém. Vale amar por si só os seus eleitos e amar-se sem culpa, antes de tudo. Sensibilidade que se redefine.

Agora, #Aos41 já sei que esse planeta denominado #Aos40 é mais que habitável: é confortável. Nele, a terra é a certeza do hoje, ainda que ainda haja inúmeras paisagens a desbravar; o oceano é escolha, cheios dos altos e baixos que podem até mexer com seu estômago, mas não te enjoam mais tão facilmente; e o céu – ah! o céu! – se você tiver sorte, ele nada mais é que uma atmosfera de integridade, resquícios das suas respirações pausadas ou ofegantes, não importa, mas que lhe encherá o peito e involuntariamente erguerá sua cabeça. Quem não quer esse mundo?

Cartinha

Bom dia, Minha Querida!

Nem preciso dizer o quanto sinto de saudade, né? Sei que você acompanha tudo por aí. Sei que você zela por todos nós de alguma forma. E por isso sei que você sabe que minha vida se ajeitou, pois no fim tudo se ajeita e os giros do mundo não me enjoam mais.

Imagino seus olhinhos brilhando e viajando comigo pelo mundo. Sim, Mãezinha, finalmente viajo pelo mundo! Sassariquei (friorenta como você) pelas ruas de Nova York. Foi bem inusitado e, não fosse assim, era bem capaz de eu não ter ido. Mas foi lindo! Cheguei lá no dia de Natal (espero que não tenha ficado brava por não ter ficado com a família) e passei o réveillon na capital do mundo. Sei que você teria se orgulhado. Cores, lugares e sabores que eu queria muito poder ter dividido com você. E agora vou para a Europa, Mãezinha! Imagina o deslumbramento? Tá tudo sendo combinado ainda mas vai acontecer. Te conto tudo depois. Apenas peço por ora que abençoe meus planos.

E meu trabalho? Você tem visto? Também imagino sua carinha de orgulho contando para as pessoas o quão perto estamos de participar de um momento histórico. Estou muito feliz, como há muito não me sentia em minha vida profissional. Um desafio enorme, muitos percalços. Mas eu sigo confiante de que existe um trabalho bárbaro sendo feito, a despeito do que os sabichões acham que sabem. Sei que você me entederia.

Estou no ônibus, indo passar o dia das mães com a Vi, as crianças e com o seu bisnetinho. Dessas coisas abençoadas que a vida apronta com a gente, Mãezinha, o seu bisnetinho chegou pouco depois da sua partida. Impossível não montar a imagem dele em seus braços e você (que nunca foi lá muito chegada a fotos) não saberia se sorriria ou faria uma careta. Ele iria te nocautear de amores, como fez com cada um de nós e você se surpreenderia com a mãezona que sua neta se tornou.

E a tarefa dela é dificílima! Ele vai crescer num mundo complicado, mais imediatista do que nunca. Um mundo onde as pessoas têm achado bonito “fazer justiça com as próprias mãos”. Onde se condena antes de julgar. Onde se julga antes de conhecer e onde o direito de um não acaba onde começa o do outro. Um mundo onde respeito ao outro ficou demodé. Vai ser difícil ensiná-lo essas coisas simples que você nos ensinou.

Vamos tentar, Mãezinha. Não vamos desistir. Sim, porque você sempre ensinou que não devemos ser “fogo de palha”. Vamos estar sempre por perto, lhe enchendo de amores e honrando a sua memória a cada lição que passarmos. Mostrando como usar essa bússola sensível e frenética do certo e errado, como você nos ensinou.

Por fim, saiba que estamos bem. A saudade não passou. Só parou de machucar. Fique com meu abraço forte, recheado das melhores e mais belas lembranças.

Sua Cacau.

Perdas e danos

~me disseram que você estava chorando~

claro que estava

feliz

olhos brilhantes

quase ~vi~

mas ~me disseram~

e por isso eu chorei

e morri

mais uma vez

no processo de destruir o meu ideal de nós dois

perdi o seu ideal de nós dois

perdi

 

Mixed feelings

Achava que seria como um luto, em fases, dolorosas porém longas. Mas não. Parece mais uma montanha russa a coisa toda. Ceticismo, mágoa, autopiedade, derrota, inveja, solidão, desdém, arrependimentos, saudade, medo, impaciência, cansaço. A verdade é que nem montanha russa é. Tá mais pra trem fantasma. O horror! O horror. Não é pra tanto, a gente sabe. Mas tá tudo aí, junto e misturado. Difícil dizer o que predomina. Cansaço talvez. Ou egoísmo. Uma bosta de uma forma ou de outra. Who cares. É o que temos pra hoje.

Sinal fechado

Acorda com o gosto do sal do fim de semana. Levanta na obrigação. Engole o choro. Engasga com a lembrança da derrota. Deságua junto com o chuveiro. Descarrega o corretivo sob os olhos. Disfarça na roupa caprichada pros olhos do mundo. Mareja no táxi. Respira, suspira, bufa. Engole mais choro. Trabalha na merda. Acaba o dia. Lê o que não teve coragem. Desaba. Soluça. Respira. Encara Paulinho, mesmo sabendo que o samba pode aumentar o descompasso dos hojes. Lembra do espinho e da flor. Derrapa no sinal fechado. Se percebe na cena, a própria, mas num futuro embaçado. E o presente fica embaçado também. Mas nem. São só seus olhos.

Sinais

Você deve ser uma pessoa muito errada se a plena felicidade de alguém te faz infeliz. Pior, te deixa em um estágio miserável de tristeza. Você pede que te deixem ir e depois os odeia por terem deixado. Pior, você se odeia por odiar. Você quer gritar por socorro mas não quer que ninguém escute – mentira, você quer que uma pessoa apenas escute e faça alguma coisa, mas você sabe que é impossível – por que é embaraçoso. Você é do tipo de pessoa que escuta, nunca que fala e não há mal nenhum em falar ou mesmo gritar de vez em quando. Mas você não consegue. E quer que adivinhem. Não dá. Não dá. Acorda pra vida: não dá pra ser assim, gata.

Os sinais estavam espalhados por aí. A vida, essa irônica, que estava sempre decidindo por vocês. Você já não fazia parte da vida dele. Sem culpa daqui ou dali, mas o fato é os olhos não brilhavam mais, os códigos sumiam aos poucos, as músicas não tocavam mais e, por mais que você procurasse, não havia mais entrelinhas. Cada vez menos até não haver mais… Fim.

E é isso. Eu sei que hoje a sua vontade é chorar até sumir. Mais uma dor absurda. Mais uma pessoa que vive sem você. Mais uma morte mesmo. Mais um fundo do poço e mais um longo caminho sabe lá para onde, mas que precisa ser percorrido. Mas é só isso. A vida é cíclica. Você já passou por isso antes. Mas também sei que passa. Você sabe que passa. Justamente porque já passou em outras tantas vezes. E porque você já passou por isso outras tantas vezes. É isso.

Chore. E durma. Você precisa dormir.

Em 10

Não sei mais escrever. Algumas poucas pessoas que me cercam devem conseguir entender o peso desta afirmação. Não sei mais extrair suco de letras do meu cotidiano ou dos meus sentimentos. Sei que já disse isso outras vezes. Sei que não sou a única a me questionar o tempo inteiro. Nestas últimas semanas tenho pensado muito sobre isso. Questionar-se. A ponto de pensar em acabar com alguns espaços que há um certo tempo não são mais produtivos. Isso me dá um arrepio indescritível. Cortaria certos laços. Muitos podem dizer que me daria tempo para outras coisas. Mas nem é isso. Seguiria apática online ou offline da mesma forma. 

Insone – Capítulo 14.549

É como se ela investisse suas economias em terrenos na lua. Ela sabe que não pode compartilhar essas decisões – o mundo “moderno” curiosamente não está pronto para tanto – mas as toma repetidamente dia após dia, noite após noite. Afinal, é a lua. A música que toca soa – diria a moça de alcunha de cor – como “uísque barato”. Gosto de música ruim. As mãos dançam no ar. Na verdade é só a abertura do seriado da TV: Um piano classudo metido a suado fazendo as vezes de cabaré. Não queria estar ali. Manda mensagens ao vento e, nesse dia, o (um) elemento soprou de volta. Se distrai com o barulho da unha roçando a fronha. Estúpida. Não controla o pensamento e chora quando quando percebe o absurdo da metáfora. Lembra da possibilidade sorridente ali que, de tão próxima, vira  impossibilidade. Terrenos na lua, tão atraentes. Tão seus. Sabe que são seus. Será que são? Sim, algumas vezes ainda o são, sim. Outras estão longe, sendo lua-de-mel para alguém. Perdeu, playboy. Passou o tempo e o segredo nunca foi tão solitário. Olha pro lado e vê uma barba ranzinza que lhe convém. Um terreno baldio bem terreno. No lua for you, beibe. Um satélite artificial. Nada mais que um subterfúgio na forma de vento. Ou apenas uma escala para chegar… ao sono.

PS: post inspirado num filme onde um blogueiro poeta posta sobre comprar terrenos em Marte.

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