Categoria: Carioquês Page 1 of 3

Faltam 50 dias!

1319 dias de tanta coisa… Tanta conta, tanta lei, tanta norma, tanto stakeholder, tanto suor, tanto prazo justo, tanta ansiedade, tanto sono perdido, tanta negociação, tanta adrenalina, tanto “não, isso não é comigo”, tanto “poxa você devia ter falado comigo”, tanto “porra, cara, decide isso aí”, tanto “calma cara, confia em mim”, tanto desabafo, tanto “preciso de uma cerveja”, tanto “uau isso ficou lindo!”, tanto cansaço, tanto “ufa”…. Mas apenas um importa: “Viu, eu não disse que ia ser incrível!”. Mas esse é só daqui a 66 dias
Se eu estou animada, Facebook? Animada é pouco!

José de Alencar, taxista

José de Alencar, taxista (Cooperativa Centraltaxi, carro 085). Nasceu em Minas, cresceu no Rio Grande do Sul – de onde ainda guarda o sotaque -, passou por Pernambuco e voltou a Minas para criar gado. Por 20 anos. Desistiu de brigar com a falta de mão-de-obra e veio para o Rio. Procura terra para comprar em Goiás enquanto taxeia cariocamente. Cantarola compondo como repentista no final fechado. Ao chegar ao (meu) destino, agradece pelo prazer de lhe conceder a corrida e a companhia. José de Alencar, taxista, 93 anos. Nem o olhar diz.

– Mas como, seu José, o senhor está 93 anos não parecendo nem 60?

– Trabalho, minha filha. Muito trabalho e amor à vida. E namoradinhas de amigos meus, de vez em quando.

O dia que “virei” atleta paralímpica!

Quando entrei para este time eu disse aqui mesmo que me sentia como uma atleta alcaçando o índice olímpico. Hoje, faltando três anos para os Jogos Paralímpicos Rio 2016 o espírito é esse: somos todos um tanto atletas, treinando todos os dias para mostrar nossa melhor performance!

Impotência

Não estou vivenciando ou presenciando in loco o caos na cidade do Rio de Janeiro. Comentei no último post que estou a 200 quilômetros de distância. Mas isso não diminui o aperto no meu coração. Eu juro que o lugar onde eu mais queria estar agora era lá. No meio do turbilhão, mas perto da minha família e amigos. É um dos sentimentos mais angustiantes que me lembro ter sentido na vida. Total impotência. E um tanto de revolta. Tenho ciência de que o volume de água foi absurdamente maior do que o natural. Mas me revolta ter que encarar o fato que temos que viver cada tragédia como se fosse a primeira vez. Me revolta ver que mudam os governantes e nenhum deles nunca nos dará a mínima infra-estrutura para que a gente tenha alguma chance nessa frequente luta contra o imprevisto. Me revolta ver que o povo continua jogando lixo na rua e destruindo encostas mesmo sabendo que isso nos condena todos ao caos notório das últimas 30 horas. Me revolta – e muito me entristece -estar longe de quem amo e me sentir impotente. 

Uma noite sem dormir

Passei grande parte da noite em claro. Ouvindo rajadas de tiros que vararam a madrugada. Moro a menos de um quilômetro da Comunidade da Formiga. Os tiros pareciam estar acontecendo na minha porta. Foi uma sensação angustiante. Mesmo sabendo que era muito improvável que meu quarto fosse atingido por uma bala perdida, não vou negar que, por momentos, a noite foi assustadora.
É triste testemunhar de dentro de nossa casa a guerra que assola meu Rio de Janeiro. É triste ver os cariocas reféns de criminosos que são os únicos que tem pleno o direito de ir e vir. É triste saber que, com muita sorte, talvez apenas os meus netos venham a conhecer a Cidade Maravilhosa tal como ela merece.
Não sou especialista em políticas públicas. Não sei o que fazer de imediato para acabar com esse pesadelo. Uma coisa é certa: na ausência do Estado, alguém sempre se aproveita para “vender” serviços que ele, o Estado, deveria suprir. Podem ser candidatos políticos com suas ambulâncias e seus centros de assistência sociais, ou milicianos vendendo gás e segurança, ou mesmo traficantes oferecendo “trabalho” para as nossas crianças. E, depois de estabelecidos estes “domicílios”, removê-los é uma tarefa hercúlea e ingrata. Em horas como essas, chego a achar que é praticamente impossível.
O momento é de tamanha desesperança que eu nem sei direito qual é o objetivo deste post. Um desabafo talvez. Gostaria de saber o que cobrar de quem. Como cobrar uma solução? Com voto? Com carta? Email? Greve de fome? O que faço eu, cidadã, contribuinte, para ajudar a transformar essa situação? Sinceramente não sei…
Eu espero ter forças para resistir à tentação de me mudar da cidade ou de transformar minha casa num bunker. Quero continuar a sair de casa todos os dias e torcer para que nem eu nem alguém querido acabemos virando mais um número na tosca estatística da violência na cidade. Torço também para que mais pessoas de bem pensem como eu e não abandonem meu Rio de Janeiro, deixando-o de presente para os criminosos. Eles não merecem minha cidade.

VI Metal Jam

Tocando os clássicos das maiores bandas do metal internacional, vem aí:

Dia 11 de Julho (Sábado) no América FC – Tijuca
Rua Campos Sales, 118 – Ao lado do Metrô ‘Afonso Pena’
Início: 18 horas

R$12.00 Antecipado
R$14.00 na hora com nome na Lista
R$16.00 no clube

+ INFORMAÇÕES:
http://www.metaljam.com.br/
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=1573592

Agora adivinha: EU VOU!
o/

E a Furiosa arrepiou!

Tudo bem, tudo bem. Aqui no perfil ao lado diz que sou mangueirense. E sou! Adoro a verde-e-rosa de todo o meu coração. Mas acima de tudo sou carioca e amo o samba em si antes de qualquer coisa. E por isso não escondo que alimento um respeito sem fim por algumas outras agremiações como Império Serrano, Acadêmicos do Salgueiro, Estácio de Sá, União da Ilha e Portela. São escolas que têm por tradição, além da tradição em si obviamente, uma incontável lista de desfiles memoráveis e sambas que são cantados até hoje.

Há muito tempo os sambas-enredo se transformaram em uma sequência de palavras que são colocadas juntas para dizer desesperadamente tudo o que o enredo pede. O ritmo então nem se fala… Acelerado em excesso, parecendo mais marchas do que sambas. Mas 2009 mostrou que há luz no fim do túnel. Mesmo não sendo perfeitos, no carnaval deste ano reinaram impávidos dois sambas-enredo: Portela e Salgueiro.

Pelo terceiro ano consecutivo o samba da Portela é de autoria de Diogo Nogueira, Ciraninho e cia. Não sei se por influência do DNA dos Nogueiras, mas os últimos sambas portelenses têm tido uma cadência mais melodiosa e as letras voltaram a ter mais poesia como um bom samba deve ter. Quer um exemplo?

“São vinte e uma estrelas que brilham no meu olhar
Se eu for falar da Portela não vou terminar
Lá vem minha águia no céu da paixão!
O azul que faz pulsar meu coração!”

Assim, lamento imensamente as duas notas 9,8 mais injustas de 2009: para a bateria e para o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Portela. Em cada um dois quesitos, três jurados concederam notas 10 e um deu apenas 9,8. Esses quatro décimos não levariam o campeonato para Madureira mas dariam um honroso vice-campeonato para os digníssimos seguidores da águia que fizeram um desfile muito mais apaixonante do que a então hegemônica Beija-Flor de Nilópolis.

Quanto ao Salgueiro… Ah! O Salgueiro! Foi o primeiro samba de 2009 que eu escutei e na hora eu vi que daria caldo:

“Vem no tambor da academia
Que a furiosa bateria vai te arrepiar
Repique, tamborim, surdo, caixa e pandeiro
Salve o mestre do Salgueiro!”

Um samba forte que dizia a que vinha e que exaltava aquele sem o qual o carnaval brasileiro simplesmente não existiria: o Tambor. Nada de enredos complicados cheios de palavras diferentes que dão a impressão de que o carnavalesco só quer se exibir vomitando sua cultura superior à nossa, réles mortais (por exemplo: “o mundo místico dos Caruanas nas águas do Patu-anu”, “Cana caiana, cada roxa, cana fita, cana preta, amarela, Pernambuco, quero vê descê o suco na pancada do ganzá”, ou “Catarina de Médicis na corte dos Tupinambôs e dos Tabajéres”). Simples assim: O Tambor. Genial! O samba pegou de prima, o carnavalesco elaborou e executou um desfile fantástico e a escola brilhou cantando e contagiando a todos durante cada um dos 82 minutos de desfile. Não tinha como ser diferente: Salgueiro – com a sua tijucana Furiosa – campeão do carnaval 2009!
 
Ah! E já ia esquecendo: Salve a Ilha do Governador!!!

Quanto riso! Oh, quanta alegria!

Sambista que sou, eu adoro carnaval. E estou feliz da vida com a retomada do carnaval de rua carioca. A palavra retomada reflete bem o que quero dizer porque me refiro a vários aspectos do clima que assola a cidade neste período. Gosto de ver gente na rua, a qualquer hora do dia ou da noite. Gosto de ver gente simpática na rua, ‘brincando’ o carnaval e ‘brincando’ umas com as outras, como amigos de infância. Gosto de gente fantasiada, seja esta improvisada na última hora ou cuidadosamente elaborada nas últimas semanas. Gosto da música no ar e da batucada em cada esquina. Gosto da variedade de opções em todo canto da cidade.

Mas não estou aqui para bancar a cega. Tem muito ‘senão’ nesta estória. Não gosto do crescente número de gente mal educada que precisa estar bêbada para se divertir (e ainda se orgulha de alardear que bebeu desde as 9 da manhã), que joga lixo no chão e que urina nas ruas. Não gosto de gente forçando beijo em uma tosca imitação ao costume banal típico de micaretas. Não gosto de ouvir funk atravessando a batida do samba enquanto ritmistas descansam. Não gosto do excesso de ambulantes atravancando a minha evolução. Detesto aquela espuma nojenta que insistem em vender no carnaval

Durante todo o carnaval, muito se falou que a prefeitura não ‘controlou’ o carnaval de rua. Na minha opinião nunca vai conseguir. Os grandes problemas são originados pela falta de educação dos pseudofoliões e a prefeitura não tem efetivo para re-educar gente mimada e sem noção. Um sujeito de 23 anos declarou ao O Globo (edição de ontem) ter tomado 32 latas de cerveja apenas durante a manha da segunda-feira de carnaval. Esse energúmeno vai se preocupar em procurar um banheiro químico? Claro que não. Ele precisava mesmo tomar 32 latas de cerveja em 4 horas para brincar uma manhã de carnaval? Claro que não (duvido que ele goste mais de cerveja do que eu)! Mas esse é o perfil de moças e rapazes que se multiplica a cada carnaval e que faz com que a cidade pareça um banheiro público de quinta categoria.

Isso tudo embaça e muito o brilho do carnaval de rua. Eu ainda acho que vale a pena montar sua agendinha e curtir os blocos Rio afora. Esse ano eu presenciei o crescimento da quantidade de famílias inteiras que pulavam juntas. Muitas, muitas crianças. O que eu mais quero é poder continuar a colocar meu bloco na rua com todo orgulho. Mas algumas atitudes precisam partir da própria população. Pra começar listo duas regras que eu mesma sigo em dias de folia:
– bebo menos por vários motivos: por segurança, para precisar ir ao banheiro o menos possível e para não ter sono no meio da tarde e perder a folia da noite.
– não compro bebida de ambulantes que forçam passagem no meio do bloco. Escolho sempre aquele que se posiciona na margem e ali fica sem incomodar ninguém.

Torço que o debate tão demandado sobre esse tema seja levado a sério pela sociedade e pela prefeitura e que soluções aplicáveis sejam encontradas. Pela perenização do bom carnaval de rua para os cariocas de bem.

PS: (1) Vale a pena conferir a ótima análise da Cora aqui. (2) A foto é da fotogaleria do jornal O Dia, publicada em 21/02/09 na sua versão online.

Madureira

Em meio ao turbilhão de eventos postáveis dos últimos tempos, nada me despertou mais inspiração para reativar o TdS do que uma palavra: Madureira. Coração do subúrbio carioca, o famoso bairro carioca sempre esteve presente em minha vida. Nascida e criada em São João de Meriti, era fácil – e posso dizer até obrigatório, freqüentar Madureira. Hoje existe o Shopping Grande Rio lá na terrinha, mas nos idos de 80 e qualquer coisa, só tínhamos o Madureira Shopping Rio. Cinema? Tudo bem que havia o Art (argh) e o Santa Rosa (hmm), mas nenhum se comparava com “O” São Luiz lá em Madureira. Sem falar que, fora da Av. Rio Branco, na minha cabecinha oca, só em Madureira havia McDonalds! Era um espetáculo!

Minha infãncia e muito menos minha adolescência não teriam sido as mesmas sem passar por Madureira. “Passar” mesmo, literalmente. O bairro sempre foi baldeação praticamente obrigatória para mais da metade dos endereços que eu precisa ir, principalmente de família. O pensamento era mais ou menos esse: na dúvida, vai para Madureira porque de lá com certeza você chega onde quiser. Compras de Natal? Madureira! Dia das Crianças? Madureira? Balangandãs de carnaval? Madureira, claro! Mas carnaval é quase um anagrama de Madureira. O bairro respira Samba e transpira carnaval.

Bom, o fato é que existe muita gente mais capaz de falar bonito de Madureira do que eu. E foi isso que me trouxe aqui hoje. Ou melhor, foi ele: Arlindo Cruz. Direto do Lapa 40° para o TdS, via Grammy Latino (é isso mesmo, ele concorre ao GL com essa música), com vocês:

O Meu Lugar
(Arlindo Cruz e Mauro Diniz )

O meu lugar
É caminho de Ogum e Iansã
Lá tem samba até de manhã
Uma ginga em cada andar
O meu lugar
É cercado de luta e suor
Esperança num mundo melhor
E cerveja pra comemorar

O meu lugar
Tem seus mitos e Seres de Luz
É bem perto de Osvaldo Cruz,
Cascadura, Vaz Lobo e Irajá
O meu lugar
É sorriso é paz e prazer
O seu nome é doce dizer
Madureira, lá lá laiá, Madureira, lá lá laiá

Ah que lugar
A saudade me faz relembrar
Os amores que eu tive por lá
É difícil esquecer
Doce lugar
Que é eterno no meu coração
E aos poetas trás inspiração
Pra cantar e escrever

Ai meu lugar
Quem não viu Tia Eulália dançar
Vó Maria o terreiro benzer
E ainda tem jogo à luz do luar
Ai que lugar
Tem mil coisas pra gente dizer
O difícil é saber terminar
Madureira, lá lá laiá, Madureira, lá lá laiá, Madureira

Em cada esquina um pagode num bar
Em Madureira
Império e Portela também são de lá
Em Madureira
E no Mercadão você pode comprar
Por uma pechincha você vai levar
Um dengo, um sonho pra quem quer sonhar
Em Madureira
E quem se habilita até pode chegar
Tem jogo de lona, caipira e bilhar
Buraco, sueca pro tempo passar
Em Madureira
E uma fezinha até posso fazer
No grupo dezena centena e milhar
Pelos 7 lados eu vou te cercar
Em Madureira
E lalalaiala laia la la ia…
Em Madureira

PS: Se falar de Madureira remete à samba, falar de samba remete à Luiz Carlos da Vila, mais uma estrela que passou em nossas vidas irradiando poesia e sem receber o reflexo de volta… E, por você Da Vila, O Show Tem Que Continuar!

Momentos curiosos das férias

(Mais elas ainda não acabaram, ok?)

******** 14/07 ********

Fui à feira.
A banana não era prata, era branca.
A tangerina não era tangerina, tampouco mexerica, era ponkan.
Tinha pastel, mas não tinha caldo-de-cana.
Ah! Esqueci: não tava no Rio.

******** 15/07 ********

Com duas horas de viagem Santos x Rio o ônibus é parado pela polícia rodoviária para uma verificação de rotina. Muito estranho acordar com todas as luzes acesas e três policiais passeando no corredor. Ainda não decidi se fiquei aliviada ou assustada.

A Colombo do Forte de Copacabana não tem o charme do prédio do Centro. Só o charme do Forte. É.

******** 16 – 19/07 ********

Meu sobrinho caçula está tão bochechudo. Tão bochechudo!!!

Não é justo jogar perfil com duas crianças, mas repara só:
Eu: 1ª. Dica: Estudei na Escola de Arte Dramática de Málaga
Eles: Antonio Bandeiras?
Eu: Ahn. É…
Eu: 1ª. Dica: Uso meias listradas
Eles: Ronald McDonalds?
Eu: Ahn. É…
Eu: 1ª. Dica: Capto ondas eletro-magnéticas
Eles: Antena parabólica?
Eu: Ahn. É…

Você sabia…
Que subir o Corcovado de carro é muuuuuito mais barato?
Que, apesar da inversão térmica e uma maior visibilidade da poluição, a vista da cidade fica magnífica no inverno?
Que você paga R$ 13,00 por duas latinhas de refrigerante e duas coxinhas de galinha?

– Lucas, você gosta da tia?
– Claro, tia!
– É que eu estou com vontade de te apertar…
– Pode apertar, só não pode morder!
– Já que você falou… estou com vontade de morder.
– Pode morder, só não pode ser doído!
– Já que você falou… estou com vontade de morder doído.
– Ai, Tia! Pode morder doído então, só não pode ser sofrido…

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