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100 Anos de Rivalidade – Um Olhar Bear

Eu amaria começar esse relato com o glamour do cronista romântico que pode escrever no título “Meu primeiro Bears x Packers foi…”, mas não posso. E o motivo é simples: eu não lembro. Não lembro ao certo quando comecei a curtir o futebol americano com mais afinco. Eu lembro que a assiduidade aumentou entre 2005 e 2006, quando morava sozinha e, vira e mexe, esbarrava com alguma transmissão. Mas não lembro o primeiro jogo que me chamou atenção. Não fui arrebatada pelo esporte: fui cortejada. 

Conclusão: eu posso ter assistido a algum clássico nesse período sem me dar conta, afinal os dois times se encontram religiosamente duas vezes por ano. Naquele tempo, eu não fazia ideia da rivalidade entre as duas equipes. Na verdade, eu sequer tinha noção de que a história do esporte que eu começava a acompanhar estava totalmente atrelada a estas duas palavras: Bears e Packers. Tola. 

Mas eu me lembro que não demorou muito para que eu me deixasse hipnotizar pela onda Orange & Blue. Talvez pela familiaridade de vê-la sempre representada na cultura pop, talvez a memória afetiva com o impactante Chicago Bulls dos anos 90. Mas o fato é que o Chicago Bears me seduziu aos poucos, como quem não quer nada. No início eu achava que era apenas simpatia, que seríamos amigos com benefícios. Imagina se eu gastaria energia torcendo para time gringo? Logo eu! 

Eu imagino que, se foi televisionado aqui na terrinha, o CHI 26 x 0 GB de setembro de 2006 – coincidentemente o jogo de abertura daquela temporada para as duas equipes – possa ter sido um dos responsáveis por me conquistar. Afinal os locutores e comentaristas devem ter pirado ao ver, ou melhor, não ver Brett Favre marcar ponto algum; era algo inédito. Se eu assisti essa partida, provavelmente testemunhei Devin Hester marcar seu primeiro touchdown retornando um punt como atleta profissional. Céus, como odeio minha memória fraca! 

E assim seguiram-se minhas noites de domingo e segunda, vendo o jogo que estivesse passando e torcendo para os Bears quando eles apareciam. As regras iam perdendo o mistério e a fascinação pelo esporte começava a transparecer. Brian Urlacher, Charles Tillmann, Desmond Clark, Alex Brown, Lance Briggs e Devin Hester deixaram de ser nomes aleatórios e eu comecei a perceber que os outros times não importavam tanto. E quando veio a certeza? Nos Playoffs daquela temporada. Acho que mais precisamente no divisional contra o Seattle Seahawks, numa virada que só foi concluída com um field goal (quem diria? mas na época tínhamos Robbie Gould!) e onde precisamos do time como um todo para vencer: ataque, defesa, especialistas e o barulho insuportável da torcida! O Troféu George Halas veio com uma vitória razoavelmente tranquila sobre o New Orleans Saints, do novato Sean Payton e voilà: eu veria as cores azul e laranja no Super Bowl. Sim, é verdade que Peyton Manning colocou os Bears no bolso naquela noite, mas o retorno (mais um) do Devin Hester para touchdown logo no kickoff da partida ninguém tira de mim!

Vince Lombardi e George Halas no Wringley Field.

Voltando à rivalidade desta noite, depois disso eu sei que não perdi mais nenhum clássico. Entendi a relação entre as duas histórias. Descobri que foi George “Papa Bear” Halas que, em 1922, disse que o nome “American Professional Football Association” não era forte o suficiente para o esporte e o mudou para “National Football League”. Ao conhecer Papa Bear mais a fundo foi inevitável conhecer Vince Lombardi. “Só existe um homem a quem eu abraço quando nos encontramos e a apenas um eu chamo de Coach” teria dito Lombardi sobre Halas. Papa Bear foi incansável na defesa da importância dos Packers para a comunidade de Green Bay. Sem a comunidade – que futuramente financiaria o Lambeau Field – não haveriam os Packers. E sem Packers, não existiriam os Bears. Papa Bear dizia os Packers eram nossos rivais mais “felizes”. Nunca entendi bem o que ele queria dizer com isso, mas o legado da rivalidade passou a ser levado muito a sério, em todos os níveis. Ao mesmo tempo que respeitava Lombardi, ele sequer apertava as mãos de Curly Lambeau. Se não havia controvérsia, Papa Bear não estava feliz.

A competitividade e a combatividade foram inseridas e motivadas sistemicamente na centenária história do Chicago Bears. Naqueles tempos os jogadores tinham seus empregos, mas em semana de jogos contra os Packers, Papa Bear marcava treinos extras e pagava qualquer quantia que os jogadores perdessem pelas faltas ao trabalho. Formava-se um time de Monstros, um time de defesas lendárias. Tudo começava a fazer sentido pra mim.

Bears e Packers são os dois times que mais se enfrentaram nesses cem anos e não existe “cumprir tabela”. Todo jogo significa alguma coisa. Em 1999, por exemplo, vencemos os Packers no dia seguinte ao funeral de Walter Payton ao bloquear, milagrosa e inexplicavelmente, o field goal que lhes daria a vitória quando faltavam 7 segundos para o fim do jogo e acabando, assim, com a sequência de dez derrotas para os rivais. “Acho que Walter Payton me levantou porque eu sei que não pulo tão alto assim” disse Bryan Robinson ao fim da partida.

Bryan Robinson no momento do bloqueio mágico que evitou o field goal da vitória do GB Packers.

Não seria honesto falar do que representa essa rivalidade para mim sem falar das derrotas dolorosas. Os tempos não estavam generosos com o torcedor do Chicago Bears. Virginia McCaskey uma vez disse: “Cresci esperando pela aposentadoria do Don Hutson. Depois passei a esperar pela aposentadoria do Brett Favre e agora eles têm Aaron Rodgers. Isso não acaba!” E isso resume bem a doce agonia de torcer pelos Bears. Enquanto somos defesa, eles são puro ataque. A final da Conferência Nacional em 2010 refletiu bem o drama. O primeiro encontro dos rivais em playoffs desde 1941 e nossa primeira aparição em playoffs desde o Super Bowl XLI. Por três períodos da partida, foi jogo de um time só: os Packers. Olin Kreutz jogando machucado porque não tínhamos quem jogasse de center, Jay Cutler saindo no terceiro quarto com uma lesão no joelho e o placar 14×0 para eles em nossa casa. Pra encurtar a tortura desta cronista, os Bears reagiram, Earl Bennett conseguiu uma recepção de 35 jardas e o placar mostrava GB 21×14 CHI mas Sam Shields interceptou Caleb Hanie faltando segundos para o fim da partida. Fim do sonho. Pulando para 2014, na última partida da temporada regular, precisávamos apenas vencer para voltar aos playoffs. Aaron Rodgers também não deixou e perdemos por 55×14.

Vencemos uma partida de Thanksgiving em 2015 no Lambeau Field apenas para estragar o momenttum de Brett Favre, que entrava naquele dia no Ring of Honor. Em 2017 os “cabeça-de-queijo” finalmente viraram o placar geral da rivalidade. Hoje estão com duas vitórias à frente (97, contra 95 vitórias dos Bears e 6 empates). Chegamos a 2018 abrindo a temporada mais uma vez contra os rivais, no Lambeau Field, como parte das comemorações de 100 dos Green Bay Packers. Roy Robertson-Harris tirou Rodgers do jogo e, no susto, abrimos uma vantagem de 20×0. Uou! Teve pick six de Khalil Mack sobre DeShone Kyzer e eu estava em casa apenas curtindo os ventos de Chicago arrasando Green Bay. Foi quando Rodgers resolveu voltar e nossos ventos viraram brisa. O cara com meia perna conseguiu virar o jogo (23×24) e jogar dúvidas sobre a nossa temporada. Ledo engano. Respondemos vencendo o segundo jogo, em nossa casa, protegendo o Soldier Field e, de quebra, garantindo nosso lugar nos playoffs e eliminando as chances de redenção da temporada perdida: Green Bay estava fora dos playoffs pelo segundo ano consecutivo. 

Aaron Rodgers e Khalil Mack no Lambeau Field, Semana 1 da temporada 2018.

O jogo de hoje não é apenas o kickoff de uma temporada festiva. Ele traz toda essa carga histórica. São 22 títulos e 65 membros do Hall of Fame. Todas as cartas estarão na mesa. Rodgers com aquele olhar de “vou estragar sua festa” e Matt Nagy de viseira respondendo com olhar de “manda ver”. Nesses quase quinze anos acompanhando o Chicago Bears, eu nunca os vi tão prontos, tão motivados, tão monstros. Pela primeira vez Aaron Rodgers teve que estudar um playbook e se preparar de fato para nos enfrentar como um adversário que não pode ser subestimado. Estaremos mais uma vez com as quatro unidades no Soldier Field hoje: ataque, defesa, especialistas e a Nação Bears e todo a sua paixão e gritaria e camisas do Dick Butkus, Walter Payton, Gale Sayers, Mike Ditka, Bryan Urlarcher, Matt Forte, Devin Hester. Chicago pulsa por esse jogo e por essa temporada. E esse jogo começou 100 anos atrás. 

BEAR DOWN!

Obs: Post originalmente publicado no NFL de Bolsa.

Aquela velha opinião

O querido amigo Edu comentou que o TeS ficou profissa com essa carinha nova. Incorporando este espírito de nova fase do Tudo em Simas Corporation Limitada Sociedade Anônima, muito nos orgulha informar que nossos colunistas seguem espalhando-se internet afora!

Uma das principais paixões desta corporação, o Flamengo é nossa pauta no Bola Pra Quem Sabe, em sua novíssima versão 2012. No Bola o fá do futebol encontra no mínimo dois colunistas por clube carioca com posts diários, futebol internacional, negócios esportivos, vídeos de jogos históricos e gols atualizados.

A grande novidade da temporada é que agora também somos experts em Futebol Americano e nossos pitacos estão na coluna Boloval do conceituadíssimo Donas da Bola, plataforma multiesportiva o ponto de vista, o charme e a malemolência da mulher brasileira.

Recomendamos e agradecemos a preferência.

Idiossincrasias – Ai meu Flamengo…

E o Flamengo perde Zico. Mais uma vez. Eu queria ter a clareza e a objetividade necessárias para escrever sobre isso. Mas só tenho decepção. Rubro-negros ou não, todos falam no possível rebaixamento do Flamengo no Brasileirão (meu coração não me engana: é possível, mas não é provável). Mas hoje, sofremos um rebaixamento moral. Deixamos um dos maiores ídolos da nossa história à mercê de politiqueiros de quinta.
Zico provou que estava certo ao não querer se reaproximar do futebol brasileiro. Confiou que com Patrícia Amorim isso seria diferente, mas jogou a toalha em 4 meses. Culpá-lo? Nunca! No Japão ele teve total liberdade e privacidade para trabalhar e praticamente inventou o futebol japonês. Aqui, sua terra natal, não conseguiu respirar sem ser achincalhado com cobranças imediatistas e denúncias que são sempre acompanhadas de muito barulho por terem pouca veracidade.
Como pudemos permitir que algo assim acontecesse? E como ainda podemos deixar essas pessoas, cujos interesses pessoais são maiores do que o nosso amor pelo Clube, mandem e desmandem no Flamengo? O que podemos fazer para mudar isso? Não consigo pensar em nada.
O Flamengo sobreviverá à mais uma despedida do Galinho? Claro! Viveu anos sem ele e viverá outros tantos. Mas vai ser muito difícil esconder a cicatriz que vai sobrar dessa crueldade com nosso ídolo maior. Estou triste, frustrada e envergonhada. E a vida segue. Me resta confiar que vamos ao menos ser capazes de tirar alguma lição disso tudo.
♪ Flamengo SEMPRE eu hei de ser! ♫  

Presente de Aniversário

O Aniversário era do Clube de Regatas do Flamengo, mas quem ganhou o presente da Olympikus, foi a Nação. Ontem, aniversário de 114 do Flamengo, foi lançado o Totó do Mengão. É um game que pode ser jogado online ou ser baixado por qualquer rubro-negro que curta o bom e velho futebol de mesa. Na festa de lançamento, esta humilde rubro-negra e mais outros 29 blogueiros torcedores, fomos convidados a fazer 1000 gols para que o jogo fosse liberado para a Nação. Isso aconteceu em mais ou menos 2 horas da mais divertida jogatina. O jogo é muito fácil de aprender: é só usar as setas para direcionar e chutar e a barra de espaços para “roletar”. A interface é fantástica: podemos escolher entre os 17 jogadores do atual elenco, entre os 3 uniformes oficiais e entre as opções táticas disponíveis. Também é possível ver os replays dos gols com os avatares do jogadores em dribles e jogadas fantásticas, incluindo um gol olímpico do Pet. O capricho com que o game foi feito é comprovado nesses e outros detalhes, como a narração de Silvio Luiz (“Olho no lance!”) e a presença de Uruba & Urubinha e das organizadas mais famosas do Mengão – Raça, Jovem, Urubuzada e Fla-Manguaça – com suas faixas, seus cantos e suas festas com bolas vermelhas e pretas no Maraca – lugar onde se passa o game. A festa oferecida pela Olympikus contou também com a presença de jogadores da equipe FlaMaster, Aílton, Gilmar Popoca, Carlos Henrique e Manguito, que conversaram com os blogueiros e se divertiram tentando ganhar uma partida. A propósito, eu ganhei uma (4 x 3).

Saudações Rubro-Negras!

O meu mais triste 1º de maio

Não era a época da altíssima conectividade tal como vemos hoje. Meu 1º de maio de 1994 teve uma manhã normal, com reunião do Clube de Castores de São João de Meriti de 9 as 11 (único compromisso que me fazia perder a transmissão de uma corrida de Fórmula 1) e volta pra casa para o almoço de domingo com a família. Não tinha internet, celular, twitter, nada disso. Velhos tempos.

Assim, ao chegar em casa, meu pai me chamou com formalidade e me deu a notícia do acidente com Ayrton Senna. Seu tom era grave e sério como se estivesse se referindo a alguém da família. Eu olhava para ele e para a TV sem entender direito o que acontecia. Não podia ser verdade, não o Senna. E o choro que começou naquele instante só pararia dias depois – junto com o resto do país.

Não é novidade dizer que o Brasil parava para ver Ayrton Senna passar. O tricampeão tornou-se mais uma inspiração esportiva adotada pelo povo (e reforçado pela mídia) para resgatar em seus corações “o orgulho de ser brasileiro”. A “briga” eterna entre os fãs de Senna e Piquet rendia discussões quase tão acaloradas quanto aquelas que aconteciam entre torcedores de Flamengo e Vasco. São inúmeros os momentos inesquecíveis de Senna na memória do brasileiro. Não à toa ele virou o “o rei da rua”, “o rei da chuva”, “o ‘Rei’ de Mônaco”. Ele tinha o carisma que nenhum outro piloto conseguiu demonstrar desde então. O Brasil ensaiou adotar herdeiros deste carisma em outras categorias esportivas e quase conseguiu com Gustavo Kuerten. Digo quase porque no fundo não era a mesma coisa. Não que os novos ídolos não sejam merecedores, mas arrisco dizer que enquanto tivermos as corridas de Ayrton Senna tão vivas em nossa memória, nossos corações estarão subconscientemente fechados. Talvez daqui a mais uma ou duas gerações estejamos prontos para um novo ídolo.

Touchdown!!!!!

Mesmo quem não leu o perfil, ali ao lado, deve ter reparado que, como vira e mexe eu comento alguma coisa sobre football, é porque devo gostar da tal bola oval sendo jogada com as mãos pelos norte-americanos. Pois é. E hoje foi dia de nada mais, nada menos que o Super Bowl XLIII! Arizona Cardinals contra Pittsburgh Steelers em Tampa Bay City, na Flórida. Meu primeiro Super Bowl ao vivo foi o de número 41, há dois anos, quando torci ardentemente para o Chicago Bears que perdeu para o Indianápolis Colts de Peyton Manning e Cia. Hoje enxergo melhor as jogadas e curto muito mais o jogo. E que jogo, senhoras e senhores! O Metalúrgicos de Pittsburgh eram os claros favoritos, não só pela campanha durante a temporada de 2008 mas também pela tradição do clube que jogou sua sétima final buscando o hexacampeonato.

No primeiro quarto do jogo parecia que tal favoritismo estava confirmado. Mas o que vale pro futebol daqui, também vale pro football de lá: jogo se ganha dentro das quatro linhas e o segundo quarto foi dominado pelos valentes Cardeais. A segundos do fim do segundo quarto do jogo veio uma das jogadas mais sensacionais que eu já assisti: o Cardinals estava a uma jarda do touchdown e sofreu interceptação do digníssimo James Harisson que retornou 100 jardas (pouco mais de 90 m) para marcar para o Steelers. O cara – grande pra caramba e que não é atacante – roubou a bola a menos de 30 cm da própria end zone e correu o campo inteiro para pontuar. Segundo a ESPN, o maior retorno de interceptação para touchdown de toda a história do Superbowl. Fim do primeiro tempo: Steelers 17 x 7 Cardinals.

O show do intervalo é praticamente incomentável, se é que existe essa palavra. Com 24 minutos de duração (o intervalo de um jogo da temporada regular dura apenas 12 minutos), assistimos a um impecável show de organização. Podemos falar o que quisermos dos americanos, mas eles entendem de entretenimento. O palco é montado e desmontado durante o intervalo e o show do artista dura em média 12 minutos. Já passaram por ali Elton John, Paul McCartney, Rolling Sotnes, Prince e outros monstros sagrados da música mundial. Esse ano foi a vez de “The Boss” Bruce Springsteen e sua E Street Band. Foram 4 musiquinhas, incluindo Working in a Dream e fechando com Glory Days perfeitamente sincronizados com fogos de articício de arrepiar.

Antes do jogo eu achava que ia dormir no intervalo, perto de 23:30… Ledo engano.

Sobre o segundo tempo eu não vou conseguir escrever a altura. Foram duas viradas de jogo, a menos de 3 minutos do final da partida. O Cardinals virou para 23 x 20, com recepção e corrida de Larry Fitzgerald – novo recordista de TDs na pós temporada – e o Steelers marcou o touchdown do título menos de 2 minutos depois, com uma jogada fantástica do “Big” Ben Roethlisberger para um preciso Santorio Holmes (eleito o MVP da partida), e fechando em 27 x 23 seu 6o. título em um Super Bowl. O que me impressiona é como um jogo pode ser tão emocionante considerando a frieza com que os quarterbacks têm que jogar até o último segundo. Muitos passes certeiros e recepções perfeitas. Show de jogo, torcida, transmissão, tudo. O triste é ter que esperar até setembro para a nova temporada…

PS: Sobre os comerciais mais caros do mundo, aos quais eu me referi antes, eles já estão disponíveis no site da NFL, aqui.

Updates às 23:00 :
– Discurso do quarterback Kurt Warner do Cardinals sobre a derrota: “Estou orgulhoso do nosso time. Talvez seja por isso que não me sinto tão mal pela derrota. Esses caras superaram as expectativas de todos e foi muito divertido jogar ao lado deles. Tiro meu chapéu para os Steelers. Eles fizeram jogadas sensacionais… Eles venceram. Não fomos nós que perdemos.” Quando eu crescer quero ser superior assim que nem ele!
– Galeria de fotos, cortesia da Globo.com, aqui.
– Já asssiti aos comerciais. Meus preferidos são os da Pepsi (alguns), Doritos (quase todos), Pedigree, Monster.com, Audi (com o Jason Statham), Careerbuild.com, Cars.com e o da Sobe com os jogadores. Tenho que reconhecer que o da – errr – Bridgestone, com o casal Sr. e Sra. Batata, também é muito bom. Ah! E também tem o trailer de “Monters vs Aliens” que é hilário e tem 1:30min (lembrem-se: 30s = USD 3 MI). Vocês acham que são muitos os preferidos? No site na verdade são quase 80 comerciais com os filmes deste e do SB XLII. Mas pra mim deu empate na escolha do number 1: esse e esse. Que irônico…

A Crise e a Criatividade

Acabei de ler no Bluebus que a Columbia não anunciará seu blockbuster do próximo verão no intervalo do Super Bowl (1 de fevereiro, direto de Tampa Bay, com transmissão ao vivo na ESPN) como de costume. Em vez disso, o trailer de 2012 estimula a busca do termo no Google. Assim mesmo: “2012”. Ou seja, em vez de desembolsar alguns milhões no intervalo mais caro do mundo (no ano passado, 30 segundos valiam USD 2,7 milhões) o estúdio investe na curiosidade humana e dribla o mercado sem precisar pedir um tostão verde aos investidores ou futuros credores falidos, quer dizer, bancos. Gostei. Lamento um pouco porque os comerciais do Super Bowl são um show a parte e se a moda pega… Bom, mas torço imensamente para que a multinacional na qual trabalho também tenha essa criatividade e jogo de cintura para driblar a marolinha.

  

Os cariocas, a Libertadores e o Brasileirão

Eu gosto de futebol. Adoro futebol. Vou ao maracanã sempre que posso. Assisto aos jogos ou mesmo alguns trechos de jogos porque podem ser interessantes ou mesmo decisivos. Foi assim com alguns jogos da Liga dos Campeões, as semis e a final da Eurocopa, por exemplo. E foi assim também com as finais da Copa Libertadores.

O que não dá para entender é por que todo brasileiro estaria obrigado a torcer pelo Fluminense? Digo de coração: não torci, nem contra nem a favor. Assisti ao jogo. Só isso. Mas acho que cada um é livre para escolher para quem torcer. Meu argumento é muito simples: eu não me sinto representada pelo Fluminense. No início do torneio eu torcia por todos os times brasileiros. Queria que todos avançassem na tabela para que a Conmebol pirasse e tivesse que tirar alguma outra regra doida para sabotar a trajetória brilhante dos brasileiros. Fomos ficando pelo caminho e no fim, o comportamento do Fluminense não me cativou. Devo ser condenada por isso? E mais: os flamenguistas são culpados pela derrota tricolor? Faça-me o favor. Não ficassem jogadores e comissão técnica falando mais do Flamengo do que de suas próprias preocupações. Agora ficam bancando os pseudo-patriotas-traídos resmungando da torcida contra. Se não aguentam a pressão, joguem Playstation!

Falando sério, o que eu queria mesmo é que o futebol carioca mostrasse sua força. Não quero torcer por um Flamengo engrandecido pelo fracasso dos outros times num campeonato meia-boca como o Carioca. Quero brilhar entre estrelas de primeira. Por isso que torço de coração para que o Dinamite tenha uma gestão magnífica no Vasco (porque o cara merece respeito de quem gosta de futebol e para que ganhar do Vasco continue não tendo preço). Quero que o Bebeto consiga mostrar quem é o Glorioso que eu sempre respeitei (e que graças ao Montenegro, hoje eu nem reconheço). Quero que Fluminense deixe a lanterna e dê orgulho ao meu pai (porque ele merece, uai). Quero olhar para o futebol carioca e não sentir constrangimento algum em perder para um desses times. Porque isso é futebol: ganhar e perder. “O vento que sopra aqui é o mesmo que venta lá” já diz a canção. Quero torcer para que o Flamengo seja sempre o melhor entre grandes campeões. Isso não significa que vou torcer por eles em cada um de seus jogos – que isso fique muito claro! – mas que torço sim para que mostremos ao mundo porque o Rio é a terra do samba e do futebol, ora bolas!

Na verdade, eu quero mais! Quero ver futebol de verdade, futebol arte, futebol sério, sem bicos pro alto, sem excesso de toques laterais nem jogadores mandando torcedores se calarem. Quero jogadores comprometidos com seus times dentro de campo, deixando a falação para as equipes de reportagem. Estou legal de jogadores-celebridades que fazem tudo por um flash e um microfone e que querem ganhar jogo no grito.

Se algum dia esse utópico cenário se tornar realidade, talvez tenhamos uma torcida menos agressiva e mais tolerante às diferenças. Se os jogadores não demonstram respeito entre si, como cobrar isso dos torcedores? Estamos no limite entre a piada e a ofensa e isso é deprimente.

Enquanto isso, só me resta curtir o melhor início de temporada do Brasileirão dos pontos corridos. Avante Mengão! Pé no chão que esse Brasileiro é nosso!

Panis et Circensis

Este é o nome da obra tropicalista que, durante o período da ditadura militar brasileira, fez analogia à política de César que tinha o objetivo de satisfazer o povo dando-lhe comida e diversão (pão e circo) para limitar assim o poder de crítica e contestação do povo frente às questões políticas, sociais e econômicas que eram convenientes ao então Imperador.

Por que eu me lembrei disso? Porque cheguei à conclusão de estamos realmente ferrados. Considerando que a tática secular do “pão e circo” tenha funcionado, explica-se assim a apatia de nossa sociedade. Só que do tal “pão e circo” também não temos visto lá grande coisa. Do “pão”, acho que não preciso nem falar. É “chover no molhado”, “ensinar missa ao vigário” e tantas outras expressões populares. É carga tributária, inflação dissimulada, desvio de verbas, corrupção generalizada, é tanta coisa que só sobram as migalhas do pão dormido. Mas estamos acostumados a isso, não é mesmo? Damos um jetinho aqui, aperta dali e seguimos em frente.

Mas aí eu me pergunto, e o “circo”? Cadê a parcela de diversão? Seria o Esporte? Lamento informar, mas tá difícil. Alguém me explica o que é a federação carioca de futebol (em letras minúsculas mesmo porque tal instituição definitivamente não existe, logo não demanda nomenclatura diferenciada)? Até quando o futebol carioca vai ser essa vergonha? Não sobra um time ileso a mal resultados e escândalos. Cartolas intragáveis e asqueirosos. Infelizmente esse privilégio não é só do Rio de Janeiro. Cutuca-se um pouquinho e vamos encontrar fácil um rabo preso sendo revelado em qualquer canto do país. A bola da vez na sinuca dos escândalos é o Corínthians. O ventilador cheio de caquinha (para não falar outra coisa) está soprando para cima de todo mundo que algum dia pisou no Parque São Jorge. Mas pera lá! E no mundo? Ora, o futebol italiano teve seu inferno astral em 2006, salvo apenas pelo sucesso da azurra da copa do mundo. Sem falar na tristeza de ver jogadores do mundo todo morrendo na TV, caindo em campo, e ter que engolir que os clubes não sabiam que eles tinham alguma disfunção. Ou seja, falar de futebol ultimamente tem sido repetir escândalos e resultados xinfrins. Tristeza…

E não acaba por aí. A coisa podre está se alastrando também por esportes milionários de verdade, aqueles ditos de “alta desempenho e perfomance”. Caiu na “boca de matilde” o caso de espionagem da McLaren e a subseqüente decisão da FIA sobre o assunto. Eu mesma, que me graduei especialista no tema, posso afirmar categoricamente que ainda ficou caroço embaixo desse angu. E o New England’s Patriots? Não está sabendo? Pois é, até no futebol americano (que tem a NFL cuja fama é de ser a liga mais rigorosa do planeta) rolou barraco. E não estou me referindo ao jogador que promovia brigas de cachorros (esse é o Michael Vick do Atlanta Falcons) mas do time de Tom Brady (o namorado bonitão da Gisele B.) que também envolveu-se com espionagem (o time, não o Tom), por filmar os códigos da defesa de um de seus adversários, no caso, o New York Jets. O Técnico teria usado esse know-how duvidosamente adquirido, no prórpio confronto direto contra os Jets e, comprovado isso, a coisa ficou feia. Barato não saiu. Mas a grande questão é que o Patriots, assim como a McLaren, são consideradas as equipes f*donas da temporada e não teriam porque fazerem isso. Mas do que nós entendemos, não é mesmo?

Futebol, Football ou Fórmula 1, a questão é que ficou tudo milionário demais pra ser circo somente. Dizem que “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” mas está dificilíssimo conseguir qualquer uma delas. Do pão, mal temos migalhas e do circo, só vejo os palhaços. E eles, mais do que nunca, me dão medo.

Tá chegando a hora

Ai que o coração tá pequenininho. Dois a zero é uma vantagem estranha, diria quase traiçoeira. Pela primeira vez em muitas nas quais a vantagem era do Mengão, eu estou sentindo uma energia diferente. Tá pintando, tá chegando. E, se essa é a hora de abrir o peito e mostrar o coração rubro-negro, eis-me aqui! Se essa é a hora de ser mais que nunca e acima de tudo rubro-negro, que comece a peleja! Se essa é a hora de ter fé, eu tô com o rosário pronto na mão, com São Judas e São Jorge em seus postos, com a prece na ponta da língua.
Se eles têm apitos é porque acham que não vale a pena gastar a garganta e eu mais quero é arrebentar a minha esta noite!

É hoje o dia
Da alegria
E a tristeza
Não pode pensar em chegar!

(*) Foto do Flamengonet.

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